Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 10/09/2019

O importante não é viver, mas viver bem. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. No entanto, ao analisar os desafios  da inclusão digital da terceira idade percebe-se que a afirmação do filósofo não é vista desejavelmente na prática. Desse modo, torna-se premente discorrer os principais impactos dessa problemática: a queda da qualidade de vida dos idosos e a exclusão social dos mesmos.

Primeiramente, é factual que a qualidade de vida dos idosos está ameaçada pela inserção acelerada das TICs na sociedade. Nesse raciocínio, nota-se que hoje em dia, no Brasil e no mundo, a falta de incentivo de adaptação dos idosos às tecnologias se mostra um potencial obstáculo. Ademais, sabe-se que os planos de saúde e assistência familiar estão cada vez mais aliados à internet, aos aplicativos e aos smartphones, o que torna a marcação de consultas e o acesso a resultados de exames, por exemplo, um contratempo na vida desse grupo social. De acordo com uma projeção do IBGE para 2027, os idosos serão, em números, 37 milhões no Brasil, o que torna o atual cenário ainda mais preocupante.

De acordo com Aristóteles, o ser humano é social e, por isso, necessita viver em comunidade e estabelecer relações interpessoais. De maneira análoga, vê-se a exclusão social da terceira idade, principalmente, porque os smartphones e computadores se tornaram o principal veículo de notícias e informações e a carência da forma de manuseio dos mesmos, dificulta as relações interpessoais.

Em suma, o analfabetismo tecnológico da terceira idade se mostra um complexo desafio hodierno e precisa ser combatido. Dessarte, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos junto ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI), fazer com que os desenvolvedores de aplicativos e softwares elaborem plataformas com interfaces mais amigáveis e dedutivas, também cabe ao CNDI incentivar os idosos a explorarem as tecnologias. Isso pode ser feito por meio de palestras e aulas nas esferas municipais com participação ativa da terceira idade, ensinando e aprimorando o manuseio de smartphones  e computadores a fim de alcançar qualidade de vida mencionada por Platão e recuperar a vivência em comunidade, garantindo a as relações interpessoais tão importantes para a natureza humana segundo Aristóteles.