Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 12/09/2019

No filme “Poetry”, uma idosa solitária decide, corajosamente, se inscrever em um curso de poesia, buscando se reinventar e se descobrir novamente na terceira idade. Fora da ficção, é fato que o desejo de se inovar é compartilhado por inúmeros idosos que pretendem se aventurar no mundo conectado, no entanto, barreiras como a falta de iniciativas para educação tecnológica e a visão errônea do corpo familiar de que os mais velhos devem ser retratos imutáveis de uma época corroboram para a exclusão digital dessa parcela expressiva da sociedade.

Em primeiro lugar, é importante pontuar, que as diferenças geracionais implicam na maior dificuldade de adaptação dos idosos às novas tecnologias. Segundo a teoria do desenvolvimento humano de Piaget, a infância é o momento da vida com maior absorção de conhecimentos e progressão cognitiva. Seguindo essa linha de raciocínio, as gerações atuais, as quais convivem desde os momentos iniciais da vida com os inventos tecnológicos, conseguem se adaptar mais facilmente a essas ferramentas do que a terceira idade. Nesse sentido, a carência de iniciativas para educação digital voltada aos mais velhos colaboram para o sentimento de exclusão experienciado por esse grupo.

Atrelado a isso, existe uma visão distorcida de que os idosos não são seres passíveis de se reinventarem, de que “não tem mais nada a viver”. Como exemplo disso, é a forma pelo qual os familiares os abordam, quase sempre questionando sobre acontecimentos passados, não incentivando a vivencia de novas histórias. Outro exemplo dessa ótica é que quando a terceira idade cria contas em redes sociais, geralmente seus comentários e participações são motivos de chacota entre os usuários, tendo como consequência o agravo da exclusão dessa parcela da sociedade. Essa temática é importante à medida em que tal exclusão pode ter impactos significativos na sua qualidade de vida e na sua saúde mental.

Portanto, é fundamental que o Estado e a Sociedade Civil tomem providências para amenizar o quadro atual. Para mudar esse olhar errôneo sobre a terceira idade, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) aliado à Sociedade Brasileira de Geriatria pode inserir por meio de novelas, filmes e redes sociais temáticas do novo idoso, na qual ele é capaz de se reinventar e de ser ator de novas histórias, como no filme “Poetry”. Ademais, a Sociedade Civil, conscientizada  a partir dessa medida, pode criar Projetos Sociais que ofereçam cursos gratuitos de educação digital para idosos em salas de universidades públicas para ensiná-los a utilizar tecnologias, através de teatros e conversas em roda, a fim de dirimir a exclusão social e, por consequência, melhorar a qualidade de vida deles.