Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 17/09/2019

Darwinismo no século XXI

Durante o século XIX, Charles Darwin, após muitas pesquisas, publicou sua teoria da evolução baseada na seleção natural. Em que, segundo ele, os organismos mais bem adaptados ao meio, têm maiores chances de sobrevivência. Análogo a isso, tem-se a sociedade contemporânea e seu mais novo fenômeno social: a digiriatria . A qual se classifica como o analfabetismo digital de idosos, situação essa, que se desdobra em diversos prejuízos, sejam eles imediatos, como experiências iniciais traumáticas, sejam em longo prazo, como lacunas na integração social. Reverter esse quadro sem ferir direitos individuais – eis a missão de um país que se diz democrático.

É válido considerar, antes de tudo, que o século XXI está sendo marcado por evoluções tecnológicas exponenciais. Dessa forma, o salto informacional entre televisão e rádio para um smartphone foi grandioso, se comparado a gama de possibilidades de uso que este último proporciona. Visto que, não se preocupando em trazer uma linguagem inclusiva, deu origem ao fato social denominado pelo doutor Dado Schneider como a digiriatria, que acaba por excluir da sociedade esse grupo social que não está sendo capaz de acompanhar este fluxo constante de inovação e informação que compõem a atual rede virtual.

Cabe apontar também, que a inclusão digital oportuniza vários privilégios, além de garantir o cumprimento de integração proposto pelo Estatuto do Idoso. Haja vista, que é considerada como um meio de entretimento, aumento da autoestima e maior possibilidade de comunicação, o que contribui de maneira significativa para a aproximação entre diferentes gerações. Somado a isso, o incentivo e o  acompanhamento familiar, corrobora a teoria habermasiana de que apenas mostrar esse mundo virtual não é suficiente, mas sim, é necessário incluir e crescer junto com os idosos.

Fica evidente, portanto, que esta lacuna social causada pela digiriatria deve ser combatida. Logo, o Ministério da Educação (MEC), aliado a ONGs, deve criar políticas públicas que visem à inclusão digital de idosos, a qual será garantida por meio de cursos gratuitos de informática, e se ensinará as principais funções de um computador e smartphone. Além disso, a Mídia, por intermédio de propagandas na televisão, deve influenciar os idosos a procurar por estes cursos em suas cidades e ressaltar a importância da família neste processo de inclusão. Afim de que, a ação conjunta desses órgãos, catalisem mudanças sociais e ajudem na adaptação destes organismos, em um mundo movido pela seleção natural.