Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 24/10/2019
Sob a ótica de Platão, filósofo do período pós-socrático, “o importante não é só viver, mas viver bem”. Embora ressaltada na idade antiga, faz-se necessário refletir sobre a concepção idealizada pelo racionalista na contemporaneidade. Nessa perspectiva, enquadra-se a importância da inclusão do corpo social brasileiro no meio digital. Todavia, há entraves para garantir a alfabetização tecnológica da população senil no cenário atual, dentre eles as dificuldade de acesso dos aparelhos eletrônico e a ausência de indivíduos para ensiná-los.
Em primeira análise, a complexidade de celulares, computadores e similares, atua como forte empecilho para pessoas com mais de 60 anos. Isso porque, conforme uma pesquisa divulgada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), um dos fatores que comprometem a interação dos idosos com a tecnologia é o fato desse envolvimento não ter ocorrido mais precocemente. Dessa maneira, devido a esse público não ter crescido com tantos avanços como os nascidos no século XXI, apresentam maiores adversidades para lidar com os recursos eletrônicos. Diante disso, é mister tornar mais acessível as ferramentas digitais para introduzir e garantir sua permanência no cotidiano da população senil.
Outrossim, nada adianta adequar os artefatos tecnológicos, se não há altruístas para ensinar os idosos a se conectarem, já que consonante a Paulo Freire, ninguém aprende sozinho. Dessa forma, é indubitável pontuar a necessidade do Estado e a família atuarem juntos para possibilitar a inserção das pessoas idosas no mundo digital, uma que vez que negligenciar esse aspecto acarreta problemas de saúde pública. A esse respeito, dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia apontam que idosos que não possuem acesso à tecnologia tendem a apresentar maiores transtornos depressivos, já que suas oportunidades de socialização ficam reduzidas.
Portanto, deve-se analisar maneiras para solucionar os desafios que comprometem a alfabetização tecnológica da terceira idade. Assim, torna-se imperativo que as empresas responsáveis pela criação de equipamentos, invistam em adaptações, como fontes maiores e programações mais fáceis e objetivas, por exemplo. Ademais, o Ministério da Educação deverá, por meio de vergas governamentais, promover oficinas de capacitação tecnológica aos idosos com a participação de seus familiares. Para que isso ocorra, é necessário o apoio de pedagogos e psicólogos nessas oficinas, os quais deverão debater com a família a importância em ensinar os mais velhos a aprenderem a usar as funcionalidades do mundo digital. Espera-se, com isso, conforme proposto por Platão, garantir o bem-estar dos senis, através da sua inclusão na era digital.