Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 19/09/2019
Na antiguidade, os hebreus se destacavam pela importância que davam aos anciões, eram considerados chefes naturais do povo, dotados de sabedoria e tratados com respeito. Contrapondo ao contexto da época, hodiernamente, evidencia-se uma indiferença social relacionada aos idosos. Um exemplo disso, é a exclusão digital oriunda dos avanços tecnológicos e suas consequências.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a dissociação dos vínculos familiares decorrente do abismo informacional tecnológico. Haja vista, a disparidade no processo de aprendizagem dos idosos, comparado às outras gerações, a qual é motivo de frustração e desistência por falha. No livro “A Velhice”, Simone de Beauvoir, explica que os idosos sofrem com a invisibilidade social, derivada de preconceitos baseados na ideia de limitação física e mental. Dessa forma, a disfunção em questão corrobora para o analfabetismo digital da terceira idade.
Ademais, é notório a negligência do Estado com este grupo social, pois não contribui para o cumprimento do Estatuto do Idoso, sob o viés de direito à liberdade, ao respeito e à dignidade. Nessa perspectiva, observa-se que ao ter pouca ou nenhuma afinidade com as plataformas digitais, os idosos são vetados do seu exercício de direito, como ter, por exemplo, autonomia para se cadastrar no INSS.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem os desafios para a inclusão digital da terceira idade. Dessa forma, urge que o Estado crie, por meio do Ministério da Educação, projetos de extensão nas escolas que visem a alfabetização tecnológica dos idosos, através de oficinas educativas e dinâmicas, em laboratórios de informática com o auxílio de docentes e discentes. Somente assim, será possível combater o abismo entre a tecnologia e a terceira idade, por conseguinte, entre gerações.