Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 21/09/2019
Em 2003, foi criado o Estatuto do Idoso, lei federal destinada a regulamentar os direitos dos idosos. Seguindo essa premissa, o artigo 20 do Estatuto, destaca a necessidade de integração tecnológica. Entretanto, no Brasil, essa conquista não tem sido respeitada, uma vez que há barreiras físicas e cognitivas que inibem o aprendizado tecnológico da parcela mais velha da população. Além disso, a invisibilidade social contribui para o atraso da inclusão digital da terceira idade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que mesmo com os avanços na medicina para a melhora da qualidade de vida do idoso, segundo Maria Barros Sales, autora do livro – Informática na terceira idade – durante o processo de envelhecimento, é comum o indivíduo apresentar redução na capacidade de memória, visão e audição. Fatores esses que se tornam um entrave para o acesso dos mais velhos às novas tecnologias. Diante dessa realidade, nota-se que a “modernidade” não está adaptada para esse grupo. A título de exemplo encontra-se nos smartphones, celulares modernos, com programações complexas e de difícil assimilação dos longevos. Como consequência, eles são limitados, o que prejudica, inclusive, o ato de ser cidadão, pois hodiernamente as relações socioeconômicas ocorrem tanto no âmbito real quanto no virtual.
Outro fato a ser analisado é que, nas sociedades primitivas, os mais velhos eram objetos de veneração, os mais jovens recorriam a eles em busca de conselhos. No entanto, com os adventos tecnológicos do mundo atual, ser velho virou sinônimo de isolamento social. Essa afirmação vai ao encontro do fato de os idosos serem considerados inválidos pelos mais moços, incapazes de praticar atos comuns do dia a dia, como por exemplo, mandar mensagem pelo aplicativo de WhatsApp. Nesse sentindo, a exclusão digital intensifica a invisibilidade social, além de colaborar para o estereótipo marginalizado dos longevos, apresentando um obstáculo na valorização dessa parcela da sociedade. Diante dos fatos suscitados, são evidenciados os desafios que os longevos enfrentam para se incluírem no mundo digital. Portanto é necessário que o governo, especificamente o Ministério da Tecnologia, em parceria com empresas tecnológicas, criarem dispositivos adaptados para as limitações dos mais velhos, por exemplos celulares que apresentam o “modo idoso”, uma ferramenta de fácil assimilação e praticamente para esse grupo. Além disso, os Ministérios da Educação e Tecnologia devem promover a inclusão digital, de modo que criem centros comunitários com intuito de ensinar a terceira idade a manusear os aparelhos eletrônicos, criados pelo Ministério da Tecnologia e empresas tecnológicas na proposta anterior. Essas medidas teriam a finalidade de acabar com exclusão digital dos idosos e consequentemente proporcionar o sentimento de se sentirem inseridos na sociedade.