Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 20/09/2019

A Revolução Industrial foi um momento histórico importante para a humanidade, tendo em vista que os seus principais ideais eram o avanço tecnológico e a melhoria da infraestrutura, o que garantiria ao menos em tese, que a tecnologia fosse incluída na vida de todos os indivíduos. Entretanto, em pleno limiar do século XXI, quando olhamos para a sociedade contemporânea em relação aos desafios para a inclusão digital da terceira idade, é notório que há ainda muito a ser feito para que o ensejo revolucionário possa ser assegurado na prática. Nesse ínterim, pressupõe-se que é necessária uma análise acerca dos entraves que englobam esta problemática, para que o governo e a mídia possam solucioná-la.

A priori, em seu livro Sapiens, o autor Harari escreveu “nos tempos modernos uma pequena diferença entre raça, religião ou dialeto tem sido suficiente para levar um grupo de humanos a tentar exterminar outro”. Seguindo essa linha de raciocínio, é notável que o Poder Legislativo implementou leis que visam incluir os velhos na nova era digital, no entanto, o Executivo tem dificuldade para colocá-las em prática. Como exemplo disso, temos análises do Datafolha demonstrando que a cada três pessoas de idade avançada, duas não conhecem as novas tecnologias ou não desejam usufruir da mesma, o que dificulta para que a parte da legislação que interfere nesses casos se torne eficaz. Sendo assim, torna-se claro que o governo é o principal agente para garantir que a tecnologia possa estar incluída na vida de todos e proporcionar a eficácia das leis relacionadas a inclusão.

A posteriori, Francis Bacon publicou um manifesto científico intitulado Novum Organum, no qual afirmou “conhecimento é poder”. Fazendo analogia a realidade atual, é evidente que os canais midiáticos são meios essenciais para se integrar socialmente, principalmente a internet, porém os idosos são os menos instruídos com relação a tais veículos. Como forma de demonstrar isso, apenas 37% das pessoas com mais de 50 anos de idade tem acesso aos canais digitais de acordo com pesquisas do G1. Assim sendo, nota-se que a mídia é a influenciadora fundamental para que haja o crescimento desses índices, o que, consequentemente, irá contribuir para o aprimoramento intelectual dos anciãos.

Fica evidente, portanto, que o problema discutido carece de soluções. Como forma de garantir isso, compete ao governo e a mídia realizarem campanhas, que tenham como foco instruir os velhos sobre os conceitos digitais, por intermédio de palestras, que sejam ministradas por profissionais da área da informática, com o fito de incluir os idosos nos meios de inteligência artificial. É notável, então que por meio de ações factíveis será possível alcançar os ideais defendidos pela Revolução Industrial.