Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 26/09/2019
O filme “O Estagiário” conta a história de um senhor de 70 anos que precisa ser reinserido ao mercado de trabalho. Esse, por sua vez, necessita se adaptar aos termos e métodos tecnológicos que o cercam. Nesse sentido, o segundo milênio tem uma carga maior na quantidade de informações que precisam ser absorvidas. Infelizmente, as gerações anteriores aos “baby boomers” viveram até hoje sem o intermédio de tecnologias, tais como a internet. Sendo assim, esse processo necessita de uma quebra de barreiras entre gerações, com a finalidade de superar desafios.
Em um primeiro momento, vale ressaltar que nos últimos vinte anos o mundo se transformou e ainda se transforma em um ritmo acelerado. Nesse ponto de vista, como aponta o economista e escritor Alvin Toffler, no século XXI os novos analfabetos não serão os iletrados, e sim os que não tem a capacidade de aprender, desaprender e reaprender novos assuntos. Logo, devido a essa dificuldade e necessidade apontada pelo autor, os indivíduos das gerações passadas tendem a resistir a essas mudanças. Em vista disso, como levantou o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro “Retrotopia”, o ser humano tende buscar sempre o passado, o qual o considera mais acolhedor e melhor.
Dito isso, para transpor obstáculos são necessários esforços dos mais novos. Um exemplo é o caso do Projeto de Incentivo à Terceira Idade no Mato Grosso do Sul (MS). Nesse, alunos do ensino médio da cidade de Campo Grande ensinam aos idosos locais como se conectar com a tecnologia e acessar seu smartphone. Por consequência, os antigos terão a capacidade de, por meio desses novos aprendizados, se comunicar melhor e até utilizar essa tecnologia para sua saúde, como para auxilia-los em horários de medicações. Essa troca é necessária, pois como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o número de idosos será 25% da população brasileira, o que torna esse modelo mais necessário.
Portanto, é evidente que medidas como do estado do MS sejam replicadas no país. Em primeiro lugar, as Secretarias da Saúde devem promover, em todas as cidades, encontros semanais entre os idosos de cada cidade e as escolas públicas com o objetivo primário da troca de experiências. Assim, em um segundo momento, serão realizadas oficinas interativas para que esses alunos ensinem a terceira idade a se organizarem de forma tecnológica. Desse modo, além de que ocorra um choque entre gerações, os mais velhos serão capacitados a ver um mundo de forma mais positiva. Por fim, essa visão se dá em oposto ao que explanou Bauman em seu livro e possibilita com que mais histórias como “O Estagiário” sejam replicadas em empresas de tecnologias.