Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 30/09/2019
No filme “Up: Altas aventuras”, o choque de gerações entre um senhor de idade e uma criança, evidencia a resistência à mudança por parte dos idosos. Apesar de ficcional, tal contexto assemelha-se ao atual, pois esse grupo tem dificuldades para acompanhar os avanços tecnológicos, o que pode resultar em isolamento social e em desafios ao Estado para a modernização de sistemas burocráticos. Diante disso, deve-se investir na alfabetização tecnológica de idosos para superar esses problemas.
Antes de tudo, deve-se considerar o isolamento social como questão de saúde pública. A esse respeito, o afastamento dos idosos em relação a situações que envolvem tecnologia, reduz as oportunidades de socialização para esse grupo, elevando as chances de desenvolverem transtornos psicológicos. Assim, enquanto nos tempos de Sócrates a idade era vista como sabedoria, o que verifica-se hoje é um efeito acumulador, visto que, a falta de investimentos em aulas de tecnologia para esse público alvo alimenta o isolamento do mesmo, a ponto de se tornar nocivo a saúde dos idosos.
Ademais, é evidente que a ignorância tecnológica dos cidadãos provoca gastos desnecessários ao Estado. Como exemplo, podem-se citar os casos de idosos que não sabem utilizar canais de autoatendimento de serviços como o do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), o que gera a demanda por atendentes reais em locais físicos. Naturalmente, em um país de proporções continentais como o Brasil, e com a terceira idade aumentando cada vez mais, percebe-se que a situação é insustentável e desgastante para a economia como um todo.
Diante do exposto, percebe-se a necessidade que o Estado possui de reverter a situação. Assim, a fim de combater o analfabetismo tecnológico, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), organizar cursos presenciais sobre o básico da tecnologia voltado para a terceira idade, principalmente. Esses cursos devem ser realizados em grupo para estimular a interação social entre os participantes e reforçar o senso de coletividade. A divulgação dos cursos será feita pela mídia tradicional - jornais, rádio, revistas e TV - , a fim de alcançar o maior número possível de indivíduos. Com tal medida, espera-se que os idosos passem a desfrutar dos benefícios da tecnologia, da mesma forma que no filme “Up: Altas aventuras” os protagonistas finalmente, após tantos desentendimentos, aprenderam a conviver um com o outro.