Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 02/10/2019

No filme “Up - Altas aventuras”, o choque de gerações entre um senhor de idade e uma criança evidencia a resistência à mudança por parte dos idosos. Apesar de ficcional, tal situação assemelha-se ao atual, já que esse grupo tem dificuldades para acompanhar os avanços tecnológicos, o que pode causar isolamento social e desafios para o Estado modernizar os sistemas burocráticos. Destarte, é irrefutável que ocorra uma remodelação dos projetos governamentais.

Faz-se mister observar, antes de tudo, o distanciamento coletivo que esses cidadãos sofrem. Segundo Steve Jobs, um dos criadores da empresa “Apple”, a tecnologia move o mundo. Dessa forma, estar atualizado quanto às novas transformações é imprescindível para acompanhar e se adaptar às mudanças na sociedade. Por isso, sem uma alfabetização digital, os idosos acabam isolando-se do convívio, já que, hodiernamente, estar “conectado” nas redes sociais é a principal forma de interação no dia a dia. Além disso, de acordo com o geriatra José Roberto Pelegrino, o indivíduo da terceira idade necessita estar sempre atualizado e em busca de conhecimentos novos, ou ele pode, então, acabar “estacionado” no tempo, o que prejudica sua saúde mental e também, física.

Paralelo a isso, outro efeito do analfabetismo tecnológico dos idosos, é o maior gasto financeiro governamental. Isso ocorre, por conta da dificuldade de implementação de meios mais desenvolvidos nos setores burocráticos, já que sem aceitação geral da sociedade, é inviável mudanças como essas que não poderiam ser acompanhadas por todos que precisam usufruir dela. Isso porque de acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12% da população brasileira é composta por pessoas com mais de 60 anos. Assim, sem opção de reforma, o Estado fica preso a meios ultrapassados que causariam mais gastos. Tal situação de descaso pode ser explicada pela teoria de “anomia social”, proposta por Durkheim, já que é bastante contraditório um país em desenvolvimento investir tão pouco em ações fundamentais para a população.

É necessário, portanto, que os atores governamentais trabalhem frente aos desafios de inclusão digital dos idosos. Para tanto, o Poder Legislativo deve implementar uma nova lei ao Estatuto do Idoso, na qual seja obrigatório o ensino tecnológico, custeado pelo Estado, para todos os cidadãos da terceira idade. Ademais, tal empreitada será executada por intermédio de cursos profissionalizantes de informática, ensinados por profissionais capacitados para lidar com a aprendizagem desse grupo, oferecidos em várias regiões do país, de forma a ser acessível para todos. Por fim, objetiva-se que os idosos passem a desfrutar os benefícios da tecnologia depois de tanta aversão a elas, da mesma forma que em “Up” os protagonistas finalmente, após tantas brigas, aprendem a conviver como amigos.