Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 09/10/2019
“Up - Altas Aventuras” é um filme infantil muito interessante, pois tem idosos como protagonistas, algo atípico na indústria cinematográfica, uma vez que o fetichismo da juventude é uma realidade do modo de produção capitalista. Infelizmente, essa negligência à terceira idade também ocorre quando se trata de inclusão digital, pois as diferenças de aprendizagem entre tal faixa etária e os jovens são grandes, o que aumenta ainda mais os desafios para a alfabetização tecnológica tardia.
Por valorizar a propriedade privada em detrimento da vida comunitária, a sociedade ocidental não valoriza tanto o idoso como se faz no oriente e, consequentemente, ocorre um descompasso geracional. Ele se mostra não apenas através da perda de tradições ancestrais, mas, principalmente, com a desatualização da terceira idade em relação às novas tecnologias. Nesse sentido, o mundo se torna cada vez mais virtual e os idosos, progressivamente, ficam à margem desse novo sistema, pois são ignorados pelos mais jovens, que se adaptam rapidamente sem perceber a proporção e rapidez das mudanças e não se interessam em ajudar seus genitores a se incluirem.
Apesar de existirem exceções, como o projeto Neto de Aluguel- criado por um rapaz que queria ensinar suas tias a usarem o celular e hoje, faz atendimentos na cidade toda- essa iniciativas ainda são pouco divulgadas e conhecidas pela população, ficando restritas aos locais em que surgiram. Além disso, a pessoa que tem mais de 60 anos precisa de muito esforço e coragem para romper com os estereótipos de velhice e aprender coisas novas, pois poucos são os estímulos da sociedade para que eles se desenvolvam intelectualmente. Exemplo disso são os raros casos de contratação de idosos em serviços, mesmo que o cidadão ainda esteja apto a trabalhar, pois sua imagem social é, muitas vezes, falaciosa de cansaço e lentidão, ainda que ele esteja cheio de energia para aprender e ensinar.
A inclusão digital da terceira idade é, portanto, dificultada pela cultura ocidental que não valoriza os idosos. Por isso, é necessário que o governo federal conceda isenção de impostos à empresas que apoiarem iniciativas empreendedoras de cursos de informática para idosos, como o projeto Neto de Aluguel, pois isso diminuirá gastos públicos com lazer e recreação, uma necessidade do envelhecimento populacional, além de possibilitar que essa faixa etária se reinsira no mercado de trabalho, caso haja o desejo ou a necessidade. Ainda, cabe às escolas infantis promoverem a conexão entre as crianças e os mais velhos, através da criação de dias da família com atividades intergeracionais em que estes ensinam àqueles a usarem as tecnologias digitais, os quais, por sua vez, compartilharão saberes ignorados atualmente. Ações como essa são importantes para atualizar os idosos e estimular sua valorização, proporcionando um desenvolvimento igualitário entre as gerações.