Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 03/10/2019

O filme “O Estagiário” conta a história de um senhor de 70 anos que é reinserido ao mercado de trabalho. Esse, por sua vez, necessita se adaptar aos termos e métodos tecnológicos que o cercam. Nesse sentido, o segundo milênio tem uma carga maior na quantidade de informações que precisam ser absorvidas. Infelizmente, as gerações anteriores aos “baby boomers” viveram até hoje sem o intermédio de tecnologias, tais como a internet. Sendo assim, esse processo necessita de uma quebra de barreiras entre gerações, com a finalidade de superar os desafios.

Em um primeiro momento, vale ressaltar que nos últimos vintes anos o mundo se transformou e ainda se transforma em um ritmo acelerado. Nesse ponto de vista, como aponta o escritor Alvin Toffler, no século XXI os novos analfabetos não serão os ilestrados, e sim os que não têm a capacidade de aprender, desaprender e reaprender novos assuntos. Logo, devido a essa dificuldade e necessitada apontada pelo autor, os indivíduos das gerações passadas tendem a resistir essas mudanças. Em vista disso, como levantou o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “Retrotopia”, o ser humano tende a buscar sempre o passado, o qual o considera mais acolhedor, e nesse caso, sem tecnologias.

Dito isso, para transpor obstáculos são necessários esforços dos mais novos. Um exemplo, é o caso do Projeto de Incentivo à Terceira Idade no Mato Grosso do Sul (MS). Nesse, os alunos do ensino médio da cidade de Campo Grande ensinam, aos idosos locais, como se conectar com a tecnologias e acessar ao seu smartphone. Por consequência, os antigos terão a capacidade de, por meio desses novos aprendizados, se comunicar melhor e até utilizar essa tecnologia para sua saúde, como para auxiliá-los em horários de medicações. Essa troca de conhecimentos é necessária, pois como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o número de idosos será 25% da população brasileira, o que torna esse modelo mais importante.

Portanto, é evidente que medidas como do estado do MS sejam replicadas no país. Em primeiro lugar, as Secretarias de Saúde devem promover, em todas as cidades, encontros semanais entre os idosos locais e as escolas públicas, com o objetivo primário da troca de experiências. Assim, em um segundo momento, serão realizadas oficinas interativas, cuja finalidade é que os alunos ensinem a terceira idade a se organizar de forma tecnológica. Desse modo, além de que ocorra um choque entre geração, os mais velhos serão capacitados a verem o mundo de forma positiva. Por fim, esse ponto de vista se dá de forma oposta ao que foi explanado por Bauman, e tem como consequência com que os idosos abracem a tecnologia e não queiram olhar apenas para o passado.