Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 07/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os diversos desafios para a inclusão digital de idosos apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descumprimento de direitos garantidos na Constituição Federal de 1988, quanto do escasso debate sobre os benefícios gerados à esses indivíduos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o não exercício das condições de cidadania promulgadas na Carta Magna deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, esses cidadãos se sentem excluídos, solitários e não aproveitam os benefícios que a era digital proporciona. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a precária discussão sobre as vantagens aos idosos como promotora do problema. De acordo com o portal de notícias G1, em 2016, dentre os quase 30 milhões de idosos, apenas 5 milhões acessam a internet. Partindo desse pressuposto, a maior parte dessa população desconhece os benefícios nos aspectos de: sensação de vazio e isolamento, memória, aprendizagem, socialização e entretenimento, que a inclusão digital pode proporcionar. Portanto, a falta de debate retarda a resolução do empecilho, já que contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os desafios para a inclusão digital na terceira idade, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), será revertido na melhora da infraestrutura para melhor atende-los, aulas informativas para a sociedade e publicações elucidativas em redes sociais, através da construção de ambientes adequados para o aprendizado, contratação de profissionais com especialidade nesse público, palestras e reuniões abertas a população, com o fito de diminuir a recorrência de algum infesto para com os cidadãos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da exclusão virtual, e a coletividade alcançará a Utopia de More.