Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 09/10/2019

O estatuto do idoso, criado em 2003, visa estabelecer, entre outros aspectos, o direito à vida, saúde e educação aos indivíduos com idade avançada. Todavia, partindo do pressuposto de que os idosos possuem dificuldades cognitivas, o constante avanço tecnológico da contemporaneidade configura um problema a esse grupo, uma vez que a linguagem dos aparelhos, consoante à ausência de investimentos para a educação tecnológica, moldam os principais desafios para a inclusão digital da terceira idade. Destarte, torna-se primordial o advento de práticas que atenuem essa problemática.

Em uma primeira análise, a linguagem dos dispositivos digitais configura um dos principais empecilhos para a integração dos idosos à era da tecnologia. Oriundos de períodos remotos de guerra, os aparelhos tecnológicos foram elaborados, majoritariamente, para fins militares. O computador, por exemplo, foi criado na segunda guerra mundial, com a finalidade de decifrar os códigos utilizados pelos nazistas e guardar informações restritas aos aliados, assim, a linguagem complexa tem origem desde os primeiros protótipos do aparelho. Em vista disto, a complexidade desses instrumentos imperam uma exclusão dos idosos, e como consequência, reforça a dependência desses indivíduos para resolver questões no cotidiano. De acordo com o IBGE, o número de idosos no Brasil ultrapassa 29 milhões, o que torna este entrave ainda mais grave.

Cabe ressaltar, em segundo plano, que a ausência de investimentos para a educação digital corrobora intrinsecamente para o chamado analfabetismo digital - termo designado aos cidadãos incapazes de lidar com as ferramentas digitais, o que é incabível, haja vista que essas ferramentas fazem parte de diversos mecanismos na atualidade. Ainda assim, a supressão de investimentos para a educação rompe com o contrato social sugerido por Rousseau, uma vez que o estado não estaria garantindo o bem-estar social. Deste modo, ações devem ser elaboradas a fim de coibir deste processo.

Portanto, é essencial que medidas interfiram o quadro abordado. Sendo cabível ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de verbas governamentais, criar projetos de instrução aos idosos acerca das tecnologias, com profissionais de informática nas instituições públicas de ensino, de modo a habilitar os idosos a lidar com computadores e celulares e esclarecendo a linguagem complexa desses dispositivos, além disso, é fundamental auxiliar os indivíduos a realizar operações nos aplicativos. Assim, os idosos tenderão a ser integrados no âmbito digital, além de aproximar a realidade ao que propaga o estatuto do idoso.