Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 23/10/2019

A ascensão burguesa ao poder da Inglaterra no século XVIII produziu a Revolução Industrial, fenômeno que desencadeou a Revolução Técnico-Científico-Informacional durante o século XX com o surgimento das mídias digitais e da internet. Esse processo provocou mudanças na estruturação da sociedade e, ainda hoje, afeta o comportamento das pessoas. No entanto, uma parcela da população se viu eliminada de toda essa transformação: os idosos. Esse grupo assiste passivamente o crescimento de sua expectativa de vida ao mesmo tempo que se sente cada vez mais “offline” frente a um novo mundo interligado.

Primeiramente, é válido ressaltar que a sociedade brasileira atravessa um processo gradativo de envelhecimento populacional. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil possui 26 milhões de pessoas na terceira idade, e a projeção para 2027 é que eles já sejam um grupo de 37 milhões de indivíduos. Todavia, essa elevação da expectativa de vida não pode ser satisfatória sem que a qualidade de vida a acompanhe. Hodiernamente, possuir um “smartphone” e se conectar à internet são fatores básicos para se aliar ao mundo moderno, já que a busca por informações e a conquista de novas amizades agora são feitas no mundo virtual.

Por conseguinte, o afastamento entre esse grupo social e o mundo digital corrobora para uma segregação social capaz de gerar riscos à saúde. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é regida pela ideia de “modernidade líquida”. Para ele, as relações cultivadas entre as pessoas tornaram-se mais instáveis e menos duradouras, comportamento inflacionado pela internet, por exemplo. Entretanto, essa prática ainda não foi bem assimilada pelos idosos, que, por não seguirem esse novo padrão social e se manterem afastados da vida “online”, tornam-se recorrentes vítimas da solidão, o que culmina no surgimento de diversos casos de depressão.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas no âmbito de aliviar essa problemática. Sendo assim, para que os idosos passem a ter contato com as mídias sociais, urge que o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio de uma maior arrecadação tributária, crie núcleos de ensino de informática nas escolas públicas brasileiras. Dessa forma, seriam ofertados cursos gratuitos para ensinar a terceira idade a acessar à internet, trocar mensagens e manter redes sociais. Somente assim, será possível inserir esse grupo na vivência contemporânea e prepará-los para as futuras revoluções tecnológicas.