Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 14/10/2019

O filme “O Estagiário” conta a história de um senhor de 70 anos que é reinserido no mercado de trabalho. Esse, por sua vez, necessita se adaptar aos termos e novos métodos tecnológicos que o rodeiam. Fora do contexto ficcional, o segundo milênio tem uma carga maior na quantidade de informações que são absorvidas. Infelizmente, as gerações anteriores aos “baby boomers” viveram até hoje sem o intermédio de tecnologias, de modo que, em meio à revolução hodierna dessas ferramentas, sofrem um processo de exclusão. Sendo assim, um processo que necessita de uma quebra de barreiras entre gerações, com a finalidade de superar tais desafios.

Em um primeiro momento, vale ressaltar que, nos últimos vinte anos, o mundo se transformou e ainda se transforma em ritmo acelerado. Nesse ponto de vista, como aponta o escritor Alvin Toffler, no século XXI os novos analfabetos não serão os iletrados, e sim os que não adquirem a capacidade de aprender, desaprender e reaprender novos assuntos. Logo, devido a essa necessidade apontada pelo autor, os indivíduos das gerações passadas tendem a resistir às mudanças informacionais. Esse fato é corroborado com o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro “Retrotopia”, em que o ser humano tende a buscar sempre o passado, o qual considera mais acolhedor, e nesse caso, sem tecnologias.

Dito isso, para transpor obstáculos são necessários esforções dos mais novos. Um exemplo é o caso do Projeto de Incentivo à Terceira Idade no Mato Grosso do Sul (MS). Nesse, os alunos do ensino médio ensinam aos idosos locais como se conectar com as tecnologias e acessar o seu smartphone. Por consequência, os antigos terão a capacidade de, por meio desses novos aprendizados, se comunicar melhor e até utilizar essas novas formas de conhecimento e tecnologias para sua saúde, como para auxiliá-los em horários de medicações. Essa troca de conhecimentos é necessária, pois como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o número de idosos será 25% da população brasileira.

É evidente, portanto, que medidas como a do estado do MS sejam replicadas no país. Em primeiro lugar, as Secretarias de Saúdes municipais devem promover encontros semanais entre os idosos locais e as escolas públicas, com o objetivo primário de uma troca de experiências. Assim, em um segundo momento, serão realizadas oficinas interativas, cuja finalidade é que os alunos ensinam e terceira idade a se organizar de forma tecnológica. Desse modo, além de que ocorra uma quebra de paradigma entre as gerações, os mais velhos serão capacitados a verem o mundo de uma forma positiva. Por fim, esse ponto de vista se dá de forma oposta ao que foi explanado por Bauman, e tem como resultado um olhar mais positivo sob os efeitos da tecnologias e o futuro.