Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 15/10/2019
Durante a Antiguidade as poleis gregas como Atenas e Esparta mantinham em suas tradições a figura do ancião enquanto portadora do conhecimento e, portanto, mais apta ao governo. Para tanto, existiam importante instituições políticas gerenciadas exclusivamente por eles, como o Aéropago e a Gerúsia em Atenas e Esparta respectivamente. Contudo, no contexto brasileiro de pós Revolução Técnico-Científico-Informacional, os idosos enfrentam desafios na inserção social, visto que a tecnologia atual tornou-se cerne das relações sociais, e o pais não centrou esforços para a democratização do conhecimento e acesso à essas novas tecnologias, o que propiciou um cenário de exclusão digital e, por conseguinte, social da terceira idade geradora de um ciclo vicioso de restrições.
Em primeiro lugar, destaca-se a teoria do filósofo Pierre Lévy na qual ele postula que “toda nova tecnologia cria seus excluídos.” Nesse sentido, o Brasil desintegrou os idosos de suas relações sociais, transformando-os na parcela excluída dentro do seu processo de desenvolvimento tecnológico, pois de acordo com o Extra Globo, sessenta e três milhões de brasileiros não usam a internet, dentre os quais oitenta e cinco por cento são idosos. No entanto, tal fato contradiz a teoria do Contrato Social proposta por John Locke, que versa sobre a entrega da liberdade individual para o Estado em troca da garantia de direitos, que segundo ele, são inalienáveis e inerentes ao homem, entre eles a igualdade. Dessa forma, é inadmissível a perpetuação dessa estatística averiguada pelo jornal Extra Globo.
Por conseguinte, a marginalização social do idoso é inevitável uma vez que de acordo com o filósofo Zigmunt Bauman em sua teoria da Modernidade Líquida, as relações sociais são pautadas, feitas e desfeitas através da conexão em rede, portanto, sendo inatingível aos que não possuem acesso a tais tecnologias. Ademais, dados do IBGE afirmam que, no Brasil, mais de oitenta por cento da população entre jovens e adultos usufruem da internet e das redes sociais para manutenção do seu modo de vida inclusive trabalhos, estudos e, principalmente, comunicação com o corpo social. Dessa maneira, evidencia-se que a desintegração do idoso é intensificada pela exclusão digital.
Destarte, é crucial adotar posturas para superação desse ciclo vicioso de restrição digital. Desse modo, é mister que o MEC - Ministério da Educação e Cultura- promulgue tal inserção tecnológica, por meio do fornecimento de aulas gratuitas nas exclusivas para idosos com professores capacitados em informática, a ocorrer semanalmente em horários alternados, afim de garantir o acesso à informatização para o maior número de idosos. Com isso, a terceira idade, como na Antiguidade Grega, será respeitada e construirá junto com a juventude uma sociedade mais igualitária conforme proposto pelo Contrato Social de Locke.