Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 20/10/2019

Na série animada: “Caverna do Dragão”; o Mestre dos Magos, um senhor de cabelos brancos, usa sua sabedoria e experiência para desempenhar a função de guiar jovens perdidos em outra dimensão. Em contrapartida, na pós-modernidade, os idosos não possuem esse espaço de atuação, visto que não apenas sofrem com o estigma de ultrapassados como também faltam oportunidades para romper essa barreira. Assim, a educação tecnológica surge como ação relevante de enfrentamento a esse problema social.

A princípio, embora haja o mito da “melhor idade”, ser um cidadão com mais de 60 anos no Brasil é estar relegado a uma vida inativa e sem expectativas. Desse modo, afastá-lo do mundo virtual das redes sociais e aplicativos digitais constitui o que o sociólogo Bourdieu chamou de ‘violência simbólica’, pois reproduz de forma velada a concepção de “velho” atrasado e incapaz de acompanhar as transformações da sociedade.

Nesse sentido, o preconceito atribuído ao grupo da terceira idade seria a “pedra no meio do caminho”, como diria o poeta Drummond. Com isso, são impedidos de ressignificar seu habitus- papel social- além de adquirirem como consequência uma lacuna para a inserção no mercado de trabalho e ficarem vulneráveis à manipulação através do compartilhamento de “fake news” e golpes bancários na internet.

Torna-se necessário, portanto, a criação de um projeto de abrangência nacional a fim de estimular um sentimento de consciência coletiva na sociedade civil. Para isso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos elaborar a campanha: “Idoso conectado- De braços abertos para o futuro”, a qual irá fornecer cursos de capacitação gratuita, com alfabetização tecnológica e orientação de comportamento midiático online. Ademais, em parceria com as secretarias estaduais de educação ao aplicarem as aulas em escolas públicas nos finais de semana e com o voluntariado de professores e alunos que desejem incluir a atividade na carga horária.