Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 24/10/2019
Na saga “Star Wars”, é narrada a história de guerreiros que lutam pela paz e pela justiça, na qual, os combatentes mais velhos são considerados símbolos de respeito, sabedoria, e conhecimento, e transmitem tais princípios para a geração mais nova chamados de “padwans". No entanto, fora da ficção, constata-se que a inclusão digital dos idosos tornou-se um desafio, devido a necessidade da sociedade atual de ingressar na era tecnológica, tornando hermética, a vida dos que não acompanham tal avanço, isto posto, a terceira idade. Assim, observa-se a carência de políticas inclusivas efetivas ao meio digital, bem como o preconceito enrustido na sociedade como propulsores da problemática.
A priori, é indubitável que a omissão estatal frente a promoção de ações de inclusão digital corrobora para a exclusão. Dessa forma, de acordo com o filósofo John Locke, esse impasse externa uma transgressão ao “contrato social”, uma vez que o poder público não garante direitos básicos aos brasileiros, como a igualdade social prevista no artigo 5° da Constituição de 1988. Sob tal ótica, cria-se uma nova forma de segregação, o “analfabetismo digital” - entende-se como sendo a dificuldade do cidadão em utilizar um equipamento eletrônico - considerando que, a inclusão na “era da instantaneidade” , converte-se em fator primordial para que o longevo continue sendo um indivíduo ativo em suas tarefas cotidianas e capaz de interpretar o cenário que o cerca.
Ademais, além da ineficiência estatal, o individualismo, somado ao preconceito fincado pela população, também corrobora na problemática, e convém ser contestado sob a perspectiva do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo ele, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em consequências individuais. Analogamente, no filme “Up! Altas aventuras”, o protagonista, Sr. Fredricksen, um idoso, é apresentado estereotipado como alguém rabugento, um peso a ser carregado, uma ameaça, além de pessoa sem autonomia. Nesse ínterim, nota-se que a sociedade possui uma construção baseada na marginalização e incompreensão da velhice, presentes claramente nas mídias e nos discursos.
Portanto, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Faz-se necessário que o Ministério da Educação, unido à assistência social dos municípios, ofereçam programas e projetos diferenciados, como ambientes digitais, que podem ser disponibilizados nos projetos municipais de grupos de convivência. Visando o envolvimento e motivação dos membros para a participação nas atividades propostas, para atender as peculiaridades e fragilidades dos idosos, respeitando as suas limitações, pretendendo alcançar o maior número de idosos. Com tais implantações, os desafios para a inclusão digital na terceira idade poderá converter-se a uma mazela passada.