Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 24/10/2019

De acordo com a teoria da seleção natural, proposta pelo biólogo inglês Charles Darwin, mudanças no meio provocam a perpetuação de espécies que apresentam-se mais adaptadas. Concomitantemente, espécies menos adaptadas são extintas. De maneira análoga ao conceito biológico, constata-se que, com as mudanças provocadas pelos avanços tecnológicos, indivíduos que não se adaptaram tornam-se socialmente excluídos. Desse modo, evidencia-se que os idosos são os principais afetados com essa seleção, uma vez que desafios para a inclusão digital da terceira idade persistem no Brasil. Nesse viés, é notório que esse problema perpetua-se seja pelo descaso familiar, seja pela ínfima acessibilidade aos projetos inclusivos.

Em primeira instancia, observa-se a falta de interesse da família em auxiliar os parentes mais velhos no processo de inclusão digital. Tal fator sustenta-se na incompreensão - por parte dos parentes - dos problemas oriundos do desconhecimento das tecnologias que permeiam o mundo digital, os quais os mais velhos estão sujeitados. Ademais, muitas vezes os próprios familiares, por estarem imersos no meio digital, não enxergam a necessidade de incluir os idosos neste meio. De acordo com o ficcionista norte-americano William Gibson, “o futuro já chegou, mas não está igualmente distribuído”. De conformidade com o escritor, conclui-se que, em virtude do descaso familiar, os idosos são privados dos benefícios promovidos pelos avanços tecnológicos.

Em segunda instância, nota-se que a dificuldade de acesso a projetos de inclusão digital para idosos corrobora a perpetuação da problemática. Nesse sentido, evidencia-se que a ínfima a quantidade de projetos inclusivos, como o Conviver e Conectar - do Sesc Ceará - que tem o objetivo de ampliar o conhecimento básico dos idosos no meio tecnológico, é um empecilho no combate da exclusão digital desses indivíduos. Outrossim, nota-se que, somada a esse problema, a escassa divulgação dos projetos já existentes dificulta a reversão desse quadro excludente.

Destarte, depreende-se que a atuação do Estado é imprescindível para promover a inclusão digital da terceira idade. Diante disso, a fim de conscientizar os alunos a auxiliarem a inserção dos familiares mais velhos no meio tecnológico, faz-se imperativa a atuação do Ministério da Educação na efetivação de projetos escolares inclusivos que devem ser realizados por meio de aulas e palestras que abordem os problemas provocados a esses indivíduos em decorrência da exclusão digital. Somente assim, os idosos conseguirão viver o futuro como propunha W. Gibson e não mais serão vítimas dessa hodierna seleção natural.