Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 24/10/2019

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou projeção para 2027, na qual serão 37,9 milhões de idosos. Contudo, a plena garantia para o bem-estar dessa população não tem acompanhado esse crescimento. Nesse sentido, com o advento da globalização — pós Guerra Fria — a marginalização desses indivíduos se intensificou, seja pela exclusão real seja pela virtual, o que prejudica ganhos individuais e sociais.

Em primeira análise, é necessário destacar a efemeridade das relações contemporâneas, sobretudo com os idosos. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua produção “Modernidade Líquida”, na sociedade hodierna, as relações tornaram-se fluidas, haja vista a celeridade das comunicações. A esse respeito, nota-se deploravelmente o distanciamento entre gerações, de modo a agravar a vulnerabilidade emocional dos envelhecidos — que muitas vezes se veem como inúteis. Essa prática infame prejudica as valorosas trocas de conhecimentos, em que os jovens instruiriam digitalmente os idosos e esses transmitiriam suas experiências.

Outrossim, o ensino da navegação na internet propicia maior qualidade de vida à terceira idade. A título de ilustração, Georgina, 69 anos, sofria um profundo processo depressivo, quando, em 2017, frequentou, na Universidade de Brasília, um curso de formação em informática básica para sua faixa etária. Destarte, a inserção deles em redes de comunicação, por exemplo, as redes sociais, melhora consideravelmente a saúde psicossocial, bem como a agilidade motora e cerebral, por conseguinte, deve ser assegurada.

Impende, portanto, que a integração tecnológica da população envelhecida é essencial para sua felicidade. Com isso, cabe ao Ministério da Educação ampliar e incentivar cursos gratuitos nas universidades para aqueles cidadãos. E deve atuar criando programas de extensão com grade horária que respeite o ritmo desses. Essa iniciativa tem o fito de educar tecnologicamente os idosos, além de proporcionar a vivência conjunta deles com docentes e com graduandos. Assim, a sociedade tratará mais dignamente aqueles que muito fizeram pelo país e que em breve serão majoritários, como afirmou o IBGE.