Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 28/10/2019
Durante a Antiguidade as poléis gregas mantinham em suas tradições a figura do ancião enquanto portadora do conhecimento, portanto mais apta ao governo. Para tanto, existiam importantes instituições políticas gerenciadas exclusivamente por eles, como o Aerópago em Atenas e a Gerúsia em Esparta, duas principais cidades estado gregas. Contudo, no contexto histórico brasileiro de Pós- Revolução-Técnico –Cientifico- Informacional, os idosos enfrentam desafios na inserção social, visto que o país não centrou esforços para a democratização do conhecimento e acesso às novas tecnologias, o que propiciou um cenário de exclusão digital da terceira idade, por sua vez geradora de um ciclo de restrições e quebras nos vínculos sociais.
Em primeiro lugar, destaca-se a teoria do filósofo Pierre Levy na qual ele postula que “toda nova tecnologia gera seus excluídos”. Dessa forma, é evidente que o Brasil transformou a terceira idade na parcela banida dentro do seu processo de desenvolvimento tecnológico, pois de acordo com o Extra Globo, sessenta e três milhões de brasileiros não tem acesso a internet, dentre os quais oitenta e cinco por cento são idosos. No entanto, o fato exposto contradiz a teoria do Contrato Social proposta por John Locke que versa sobre a concessão da liberdade individual em troca da garantia de direitos inalienáveis e inerentes ao homem entre eles a igualdade. Sendo assim, torna-se inadmissível a perpetuação dessa estatística averiguada pelo jornal Extra Globo.
Por conseguinte, a marginalização social do idoso é indubitável uma vez que de acordo com o filósofo Zigmunt Bauman em sua teoria da Modernidade Líquida, as relações sociais são feitas e desfeitas através da conexão em rede, sendo, portanto, inatingível aos que não possuem acesso a tais tecnologias. Ademais, dados do IBGE afirmam que no Brasil mais de oitenta por cento da população entre jovens e adultos usufruem da internet e das redes sociais para manutenção de seu modo de vida inclusive trabalhos, estudos e, principalmente, comunicação com o corpo social. Dessa maneira, evidencia-se que a desintegração do idoso com a sociedade é intensificada pela exclusão digital.
Destarte, é crucial adotar posturas para superação desse ciclo vicioso de restrições. Desse modo, é mister que o MEC promulgue tal inserção tecnológica, por meio do fornecimento de aulas gratuitas nas escolas sendo exclusivas para idosos, em horário não escolar e com professores capacitados em informática, a ocorrer semanalmente e em turnos alternados, a fim de garantir o acesso à informatização para o maior número de discentes vetustos. Com isso, a terceira idade, como na Antiguidade Grega, será respeitada e construirá junto com a juventude uma sociedade mais igualitária conforme proposto pelo Contrato Social de Locke.