Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 30/10/2019

No final do século XX, com o advento da Revolução Informacional, foram introduzidas novas tecnologias na sociedade que transformaram e dinamizaram as informações e relações socias. Nesse viés, frente as todas as inovações tecnológicas, idosos vem sofrendo grandes adversidades no que tange a inserção digital. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude das barreiras físicas e cognitivas imposta aos idosos, bem como da falta de suporte e amparo familiar e estatal.

Em primeira análise, vale ressaltar que segundo o Princípio Aristotélico, “deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade”. Nessa óptica, seria fundamental que os equipamentos digitais sejam adaptados ao público idoso. Entretanto, a população da terceira idade acredita que a tecnologia da informação pertence somente a nova geração e não se sente no direito de usufruir dessas. Por esse motivo, nota-se uma mitificação de tecnologia ser muito complexa e um auto preconceito que está presente por acreditar-se que existem limitações de aprendizado entre idosos. Essa situação revela, a necessidade da criação de programas e incentivos que visem a inclusão e a educação digital desse público específico.

Concomitante a isso, é irrefutável que a Constituição Brasileira de 1988 incumbe à família e ao Estado a necessidade de assegurar o desenvolvimento do idoso. No entanto, esse dever, quando ocorre, se limita apenas às necessidades básicas (moradia, saúde e alimentação) e a inclusão digital, por exemplo, não é uma prática comum da família, nem é incentivada pela máquina pública. Dessa forma, a impaciência e a falta de zelo familiar, ao não compreenderem a dificuldade dos mais velhos em acompanhar a acelerada mudança durante os anos, em conjunto com a negligência estatal em atentar-se a inclusão digital dos idosos, tem por consequência, a falta de estímulos e interesse idosos em aprender, deixando a melhor idade inerte ao tempo.

Diante o exposto, o Governo Federal – em conjunto do Poder Legislativo – devem criar políticas de incentivo a empresas de tecnologia e desenvolvimento, por meio de criação ferramentas digitais voltadas ao público da terceira idade, com de aplicativos e aparelhos de fácil assimilação e manuseio, com fito de desassociar a tecnologia como uma pratica jovem e complexa. Ademais, cabe ao Poder Executivo, em parceria com a mídia, por meio de campanhas e debates, influenciar a família e a comunidade a promover atos que auxiliem na integração digital dos idosos, a fim de estimular atos solidários e propostas inovadoras, ressaltando a importância de facilitar o acesso às novas tecnologias para a terceira idade na promoção da cidadania, evitando a exclusão social.