Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 30/10/2019

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais dificultam a inclusão tecnológica dos senis, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, à carência de medidas socioeducativas que promovam a inserção dos idosos, bem como o individualismo em socializar esse contingente no ambiente familiar. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

Em verdade, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Nesse ínterim, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Analogamente, denota-se mormente, a ausência do ensino para a utilização dos equipamentos modernos, a exemplo do celular, haja vista não haver, centros de aprendizagem ou, inclusive, escolas com professores e estudantes com formação na área tecnológica para a instrução dos idosos. Tal cenário comprova-se por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual demonstrou que apenas 31% da população idosa utiliza algum tipo de aparelho moderno. Por conseguinte, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos indivíduos, a considerar o isolamento coletivo resultante do acesso restrito às ferramentas digitais, fato que agrava o evento.

Convém ressaltar, outrossim, a conformidade da temática em voga com a premissa da filósofa Hannah Arendt, em que a negligência em relação ao outro constitui um grande dilema do mundo moderno. Nesse sentido, infere-se a omissão dos familiares em ajudar os indivíduos no aprendizado das novas tecnologias, tendo em conta, ainda existir a noção assídua de inutilidade na terceira idade para a inclusão sociodigital, o que, por sua vez provoca a alienação contemporânea dos indivíduos, a julgar o impasse na formação cidadã ao meio informacional. Isso posto, percebe-se a coerência da teoria arendtiana ao assegurar a ausência de empatia, intensificada, particularmente, pela fluidez nas relações sociais, como fator potencializador da exclusão dos idosos à era digital.

Urge, portanto, que, diante da realidade excludente dos cidadãos à educação digital, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao poder público, em sinergia com o Ministério da Educação, implantar um programa de assistência sociodigital a população senil, por intermédio de aulas e palestras com a orientação ao uso das ferramentas modernas por docentes e estudantes da área de ciências da computação, no intuito de combater o isolamento social dos indivíduos. Ademais, compete à família realizar o diálogo acerca do tema, a fim de fomentar uma mentalidade racional e consciente da interação tecnológica dos idosos. Destarte, a coesão proposta por Durkheim seria efetiva.