Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 31/10/2019

O filme norte-americano “O senhor estagiário”, conta a história de Ben, um idoso viúvo de 70 anos, que consegue uma vaga de emprego de um site de moda, mudando assim o rumo da sua vida. A narrativa mostra a importância da reinserção social do idoso e como isso traz possibilidades de novas interações interpessoais e inclusão tecnológica. Contudo, diferentemente da obra, a sociedade brasileira enfrenta problemas na inclusão da terceira idade, seja por conta do preconceito por parte da população ou pela negligência governamental.

Em primeiro lugar, deve-se analisar a falsa percepção de improdutividade que muitas pessoas carregam sobre a terceira idade. Sendo a tecnologia um fato social, é imprescindível estar conectado às mudanças do mundo moderno. Entretanto, o idoso, assim que deixa de gerar lucro para a economia, não só passa a desconhecer os novos processos informacionais, como também não é incentivado por meio de políticas públicas. Esse fato é explicado pelo processo de reificação de Karl Marx, na qual à medida que o valor material sobre o indivíduo para de existir, seu processo de marginalização também se acentua.

Além disso, ainda que exista o Estatuto do Idoso para garantir seus direitos como cidadãos, esse grupo é negligenciado pelo Estado. De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística, o número de idosos no Brasil já é alto e com tendência a crescer nos próximos anos. Como consequência disso, reformas na previdência social estão sendo abordadas pelo Congresso Nacional e a pauta principal é o aumento da idade mínima para se aposentar. Diante dessas mudanças, para que esse grupo seja absorvido pelo mercado de trabalho, essa mão de obra precisa se adaptar, já que as empresas estão cada vez mais exigentes com relação ao nível de conhecimento em tecnologias. Ou seja, um dos motivos de investir nessa inclusão é ajudar os idosos a encontrar postos de trabalho.

Fica claro, portanto, que a inclusão no mundo digital, não é somente uma forma de inserção, porém um fator primordial para que o longevo continue sendo um sujeito ativo em suas tarefas cotidianas e que possa interpretar o cenário que o cerca. Então, o Ministério da Educação deve investir e ofertar cursos gratuitos de informática básica, para que os idosos possam aprender a manusear as tecnologias e se inserir cada vez mais no mundo moderno. Além disso, as escolas e a mídia, também, devem ser responsáveis por difundir valores positivos em relação aos idosos, mostrando que, em vez de ultrapassados, eles possuem muita sabedoria e experiência para serem compartilhadas.