Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 05/11/2019
Paulo Feire, filósofo e professor brasileiro, em seu renomado livro “Pedagogia do Oprimido”, faz uma análise explicando as relações entre opressor e oprimido, na qual os opressores vão se apropriando cada vez mais da ciência e da tecnologia, utilizando-as como força de manutenção da ordem e também como forma de atingir suas finalidades. Tal situação faz uma analogia a exclusão digital entre os idosos, já que quanto mais informação uma pessoa tem, mais ela estará acima de alguém que não detém determinado conhecimento. Isso ocorre tanto por causa da negligência estatal, quanto pela falta de paciência e consideração com os idosos no que tange a inclusão digital na terceira idade. Diante disso, vê-se que os idosos precisam de uma assistência tecnológica, afim de que possam ser incluídos de forma apropriada na sociedade.
Em primeira instância, pode-se abordar que, o Estatuto do Idoso, aprovado em 2003, estabelece a obrigação da família, da comunidade e do Poder Público em assegurar ao idoso a efetivação do direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer entre outros. Contudo, apesar dos avanços tecnológicos desafiando a inclusão digital da terceira idade, nada foi citado sobre tal problemática no estatuto a fim de amenizá-la. Ademais, é importante notar o isolamento social que essa população sofre e, de acordo com Steve Jobs, um dos criadores da “Apple”, a tecnologia move o mundo.
De outra parte, deve-se citar que, com o passar dos anos, é normal que a tecnologia evolua e crie instrumentos muito mais elaborados que os seus antecessores. Com isso, a geração adulta e mais velha, acostumada com os aparelhos mais antigos, pode ter mais dificuldade em usar os atualizados. Além disso, a discriminação social faz parte de seu conflito no uso dos aparelhos tecnológicos, já que alguns julgamentos idealizam o idoso como incapaz, o que atrapalha o processo de aprendizagem do indivíduo no que tange ao uso correto dos bens digitais. Sendo assim, percebe-se que tal estereótipo, atribuído erroneamente, deve ser desmistificado para que a terceira idade seja assistida pela população da forma devida.
Portanto, é dever do Ministério da Educação, com apoio e investimento da União, criar centros de ensino tecnológicos focados na educação da população idosa com cursos acessíveis profissionalizantes de informática, ensinados por profissionais capacitados a oferecer uma aprendizagem especial desse grupo, fazendo com que eles estejam mais conectados com o mundo digital. Além disso, a comunidade deve ajudar o idoso com o que ele precisar referente ao meio digital, além de deixar o preconceito de lado, fazendo com que a população idosa se sinta incluída.