Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 12/03/2020

Durante o período Helenista, aquilo que chamamos de terceira idade associava- se diretamente à sabedoria. Contudo, com a revolução técnica cientifica e a grande expansão tecnológica por ela provocada, no que tange ao surgimento de computadores, internet, celular e redes sociais, os laços que uniam conhecimento, sabedoria e velhice foram se perdendo com o tempo. Concernente a isso, nota-se um distanciamento dessa parte da população para com os meios tecnológicos tão ratificados na contemporaneidade, o que acarreta em entraves para a inclusão dessa camada social no meio digital.       Em 2018, o número de idosos no Brasil era equivalente a 37 milhões. No entanto, com a baixa na natalidade, em virtude do padrão de vida imposto pela globalização, tal estimativa tende a uma crescente linear. Desse modo, é elementar que seja levado em consideração a necessidade de adaptação dos mesmos na famigerada “era digital”, uma vez que, nesta, há uma concentração substancial de aspectos como informação e serviços- índices que devem ser garantidos, por direito, a todo indivíduo. Nessa perspectiva, a exclusão de pessoas da terceira idade do meio tecnológico, pode ser entendida como uma consequência advinda da negligência estatal visto a ausência de meios que venham a facilitar a inclusão da tecnologia no cotidiano desses cidadãos.

Faz- se mister, ainda, salientar a rejeição dos idosos com o meio digital e suas ferramentas de uso, em virtude da falta de intimidade com recursos que durante uma boa fração de suas vidas, não faziam a menor diferença. De acordo com Steve Jobs- “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”- diante tal contexto, o analfabetismo digital da terceira idade não significa incapacidade, mas falta de hábito, este, atrelado à carência de instrução por pessoas familiarizadas com o modelo social em questão, sejam eles familiares, como filhos e netos, ou até mesmo amigos. Torna-se evidente, portanto, que a questão da inclusão, além de auxiliar na adaptação dos anciãos na sociedade, pode também fortalecer as relações interpessoais, subjetivando o uso da tecnologia e causando um efeito inverso ao defendido polo filosofo Zygmunt Bauman na sua obra “Modernidade líquida”.

Dessa forma, fica claro que os embates relacionados à inclusão de pessoas de maior idade no mundo digital associam-se à deficiência tanto nas políticas sociais quanto nas relações interpessoais. Destarte, urge que escolas e instituições de ensino em geral, em parceria com o Estatuto do Idoso, realizem oficinas educativas, envolvendo alunos e idosos da comunidade, em que os mais jovens ministrarão noções básicas de como manusear aparelhos eletrônicos como celulares e computadores, para que o público da terceira idade possa dominar funções básicas que possam ajudá-los no desenvolvimento social, além da conscientização de ambos ..os públicos envolvidos da necessidade de inclusão.   imprescindível que órgãos governamentais atentem-se à criação e fiscalização de leis e projetos, para que a camada social em questão possa desfrutar do direito à informação e uso de serviços por meio da tecnologia, para que assim, uma sociedade integrada seja alcançada.