Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 27/03/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, consolidada em meados da década de 1990, ampliou as redes de comunicação em escala global, de modo a tornar possível o surgimento da internet. No entanto, no que tange à realidade brasileira, o uso dos meios comunicativos ainda é pouco efetivo na população idosa, uma vez que esta enfrenta inúmeras dificuldades em lidar com a tecnologia. Com efeito, é nítido que a baixa inclusão digital da terceira idade ocorre devido ao preconceito social e à negligência governamental, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigar esse quadro.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que o Estatuto do Idoso, criado no ano de 2003, assegura a integração da terceira idade aos aparatos tecnológicos como um direito inalienável. Entretanto, tal construção legislativa faz-se pouco eficaz em metodologias práticas, uma vez que,os idosos sofrem, cotidianamente, com a falta de estrutura para lidar com o espaço digital. Dessa forma, é perceptível a falta de incentivo do Poder Público para com a criação de projetos eficientes de inclusão nesse âmbito, o que revela falhas estruturais de atuação governamental.

Outrossim, a negligência social dificulta a inclusão digital na terceira idade. Nesse viés, convém ressaltar que a falta de adaptabilidade dos equipamentos tecnológicos a esses grupos mais vulneráveis, em termos físicos e cognitivos, agrava essa problemática.Tal fato pode ser analisado a luz do conceito metafórico denominado “corpo biológico” -idealizado pelo sociólogo Émile Durkheim- que afirma que a sociedade deve se assemelhar a um corpo humano, haja vista que o mau funcionamento de uma das estruturas prejudica o todo. Logo, é substancial que haja uma atuação mais promissora das empresas e do Estado para reverter esse panorama.

Em síntese, infere-se que a dificuldade de acesso ao meio virtual limita a vida do idoso. Portanto, cabe ao Governo Federal, mediante parcerias público-privadas, incentivar as empresas de tecnologia a criar ferramentas que facilitem o uso de aparatos tecnológicos pela terceira idade, como celulares, tablets, notebooks, e diversos meios de obter informação, a partir de programações mais fáceis de serem manuseadas, visando a uma maior inclusão digital desse grupo. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve, junto às mídias,por meio de campanhas e debates, influenciar a família e a comunidade a promover atos que auxiliem na integração dos mais velhos nesse cenário, a fim de estimular a solidariedade e romper com preconceitos e barreiras socioeconômicas. Assim, será possível viabilizar a inserção dos anciãos e reverter tal quadro.