Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 22/04/2020

Surge, no século XXI, a “Internet das Coisas” que permite conectar objetos do dia a dia, como eletrodomésticos, à uma rede online para facilitar a comunicação entre pessoas, processos e coisas. Assim, o comportamento dos cidadãos molda-se, cada vez mais, ao que é tecnológico. No entanto, a parcela idosa da população não consegue se adaptar na mesma proporção. Desse modo, cabe analisar os obstáculos para a inclusão digital na terceira idade e as suas consequências a curto e longo prazo.      Primeiramente, cabe analisar que, de acordo com o IBGE, em 2050, 25% da população terá 60 anos ou mais e média de expectativa de vida de 90 anos. Nessa lógica, faz-se necessário a alfabetização digital para os idosos, a fim de melhorar sua participação, comunicação e qualidade de vida. No entanto, os aparelhos tecnológicos nem sempre apresentam uma interface amigável ao universo da terceira idade, considerando o tamanho e o tipo da fonte, o tamanho dos ícones, o contraste nas cores, assim como, o design de interação pouco intuitivo. Assim, com o propósito de driblar a realidade, trabalhos voluntários como “Neto de Aluguel” se manifestam aos cidadãos já de idade a fim de informatizá-los.

Todavia, caso nenhuma ação seja tomada, a subutilização dos recursos digitais pelo público mais velho trará consequências. Em primeiro lugar, por não conhecer a tecnologia, o idoso fica mais suscetível a sofrer golpes ou fraudes de alguém mal-intencionado, como clonagem de cartão de crédito e roubo de senhas. Ademais, diversas atividades cotidianas necessitam do entendimento digital, como um simples telefonema, portanto, a ausência do domínio dessas ferramentas gera exclusão dessa fração da sociedade. Sob tal ótica, Pierre Lévy, filósofo francês, afirmou que “toda nova tecnologia cria seus excluídos”.

Percebe-se, portanto, que o acesso às mídias é imprescindível para assegurar aos cidadãos a efetivação de seus direitos e o exercício de uma cidadania plena. Recai sobre o ser humano, portanto, o compromisso de democratizar o acesso ao campo das tecnologias digitais a seus anciões. Para tanto, a família deve, não só propiciar dispositivos informatizados, mas também dispor-se a corrigir erros e esclarecer dúvidas, colocando o idoso em contato com parentes e amigos que os ajudarão no desenvolvimento cognitivo e de habilidades a fim de estimular seu cérebro, facilitar a vida e incluí-los socialmente. Além disso, a sociedade tem a responsabilidade social de desenvolver projetos voluntários que ofereçam soluções em tecnologias para todas as faixas etárias, como ensino básico de digitação, envio de mídias e manejo de redes sócias, em virtude disso, mais pessoas se conscientizarão da importância da inclusão digital na terceira idade.