Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 08/04/2020

Após a emergência da Terceira Revolução Industrial, aparatos tecnológicos passaram a fazer cada vez mais parte do cotidiano dos agrupamentos humanos globais. Hodiernamente, televisores e smartphones são vistos como indispensáveis a diversos indivíduos. Contudo, uma parcela populacional manteve-se à margem desses acontecimentos: a terceira idade. Nesse sentido, evidenciam-se como desafios para a sua inclusão digital a negligência familiar e estatal para com eles, bem como a resistência de alguns a adentrar esse novo universo. Destarte, cabe analisar a problemática.

Convém ressaltar, a princípio, a ineficácia dos familiares de idosos e do Estado em promover a inserção desse grupo no contexto digital. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade encontra-se em estado patológico quando nela coexistem fatores comprometedores do seu bom funcionamento. Na conjuntura atual, eles são observadas na falta de auxílio de filhos e netos, já adaptados à nova realidade, os quais não ensinam devidamente os mais velhos a manusearem computadores e celulares, assim como na ausência de programas capazes de formar esses cidadãos tecnologicamente. Isso decorre da indisposição para ajudá-los, e do fato de que investimentos governamentais para tal não são tidos como prioritários. Desse modo, nota-se a quebra de uma perspectiva kantiana, afirmadora da dignidade e do respeito entre as pessoas a todo momento como imprescindíveis às condutas humanas.

É válido salientar, além disso, a relutância de certos anciãos em aderir ao uso dos novos artefatos provenientes das inovações recentes. Na obra literária “Admirável Mundo Novo”, o personagem John, ao se deparar com pessoas cujos valores são amplamente estranhos a ele, recusa-se a abandonar os seus com o intuito de ser por eles aceito. De forma análoga, existem aqueles que veem a tecnologia somente sob aspectos negativos e abdicam do seu manejo, desconsiderando seus benefícios, como por exemplo, o maior acesso a informação, facilidade em comunicar-se com quem está distante, entre outros. Sob esse prisma, constata-se a necessidade de promover alterações nesse pensamento enraizado, em geral, estre as classes mais conservadoras.

Dado o exposto, depreende-se a primordialidade em incentivar a inclusão digital da terceira idade de maneira efetiva. Para mitigar tal algoz em âmbito brasileiro, urge que o Superministério da Cidadania, atual responsável pela manutenção de projetos sociais, em parceria com os governos estaduais, trabalhem no sentido da adequação dos idosos ao meio cibernético. Isso deverá dar-se por intermédio do fornecimento de cursos de informática gratuitos nas localidades mais povoadas do país aos interessados em aprender mais sobre ela e seu poder de facilitar a vida no mundo globalizado. Com isso, espera-se que ocorra a aniquilação gradativa de preconceitos e integrá-los à era tecnológica.