Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 08/04/2020
A obra de Gilberto Dimenstein “O Cidadão de Papel” evidencia a realidade brasileira na qual os direitos dos indivíduos não são postos em prática. De maneira análoga, a terceira idade enfrenta desafios na inclusão digital que deveriam ser impedidos em nome do Estatuto do Idoso. Nesse contexto, esses empecilhos perpetuam-se porque muitos veteranos carecem de uma base educacional sobre o mundo virtual. Além disso, o próprio design dos aparelhos tecnológicos exclui essa parcela populacional. Dessa forma, é fulcral o debate sobre tal pertinente tema.
Nesse viés, é válido ressaltar que muitos anciões são privados do acesso à educação informática. A recusa dessa instrução sobre o campo tecnológico para públicos mais velhos promove o isolamento e a dependência do idoso, tendo em vista que, hodiernamente, a internet é um elemento imprescindível no funcionamento da sociedade. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar o filósofo Immanuel Kant, ao afirmar que a educação é uma ferramenta formadora do homem, logo, sua ausência empobrece o ser humano de diversas maneira, nesse caso, faz com que a população em questão seja excluída das benesses provindas do meio virtual. Sendo assim, explicita-se a necessidade de mudança do cenário citado.
Outrossim, é relevante destacar o fator limitador presente nos protótipos modernos. Eles possuem em comum a característica de negligenciar as necessidades de indivíduos maduros, os quais, por exemplo, são afetados por problemas de visão típicos da idade avançada e ressecamento das palmas e, em contrapartida, não recebem aparelhos com telas maiores e touch screen mais sensíveis. Tais algozes que abrangem a terceira idade são abordados na série da Netflix “Gracie and Frankie”, em que duas veteranas decidem prover produtos os quais atendam a demanda especializada que acompanha o processo de envelhecimento. Vê-se, assim, a importância da mitigação de tais problemáticas.
Portanto, é mister que providências sejam tomadas para superar os desafios apresentados. Para isso, cabe ao Governo Federal, instância máxima da ação executiva, em conjunto de empresas de tecnologia de ponta, por meio de capitais estatais e privados, desenvolver e distribuir equipamentos adaptados as necessidades da terceira idade, além de fornecer cursos capazes de introduzi-los a internet e como usar os equipamentos modificados com intuito de promover a inclusão desses membros da sociedade no meio tecnológico. Dessa maneira, será possível reverter o quadro ilustrado por Gilberto Dimenstein em “O Cidadão de Papel” e incentivar a preservação dos direitos resguardados pelo Estatuto do Idoso.