Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 09/04/2020

“ A vida deve ser uma constante educação”. Da citação de Gustave Flaubert deve-se compreender que os indivíduos, em vida, encontram-se em um constante processo de aprendizado. Tal linha de pensamento pode ser relacionada à questão da inclusão digital da terceira idade, tendo em vista que pessoas de idade mais avançada apresentam dificuldades em aprender a utilizar a tecnologia atual, a partir da ideia de que providências devem ser tomadas para garantir aos idosos o acesso à educação digital. Com isso, abre-se um debate acerca dos desafios para a inclusão digital da terceira idade.

Em primeira análise, deve-se observar a falta de ferramentas que confiram acessibilidade para idosos em muitos aparelhos eletrônicos, como os smartphones, que contam com diversos ícones, teclas e letras miúdas. Como indivíduos de idade mais avançada apresentam uma diminuição da capacidade cognitiva, as características do próprio aparelho dificultam a interação. Portanto, é essencial o desenvolvimento, por parte das grandes empresas de tecnologia, de ferramentas em smartphones e computadores que facilitem o acesso da terceira idade, como ícones maiores, teclados com letras maiores e menos ferramentas, simplificando o uso.

Em segunda análise, é essencial reconhecer a insegurança de muitos idosos em relação à tecnologia. Através de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), observa-se que 24% dos idosos entrevistados têm medo de utilizar a tecnologia e 40% relataram ter receio de danificar o equipamento. Tal insegurança advém do medo de errar, de envergonhar-se, de não aprender a utilizar o equipamento e de não conseguir memorizar as funções de cada ferramenta e pode ser solucionada através de aulas de informática.

É essencial, portanto, que medidas sejam tomadas para superar os desafios da inclusão digital da terceira idade. Posto isso, o Ministério Público do Idoso deve, por meio das arrecadações do Fundo do Idoso, oferecer cursos de informática gratuitos à população idosa. Tais cursos devem contar com suas aulas adaptadas e profissionais especializados para o público-alvo, que merece cuidados especiais, como o aumento do tempo para a realização de exercícios, necessidade de repetir palavras e conceitos para melhor fixação, entre outros itens. A partir de tal ação, um grande passo será tomado em direção à educação digital de pessoas de idade mais avançada, concretizando o raciocínio de Flaubert de que a vida é um constante aprendizado.