Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 09/04/2020

A Revolução Técnico-Científica teve início em meados do século XX, quando a tecnologia avançou ao ponto de se tornar essencial nos meios de produção e na comunicação da sociedade. Entretanto, em pleno século XXI, o setor da terceira idade ainda é excluído do acesso aos novos recursos tecnológicos. Tal problemática é fruto da complexidade da logística digital, somada a infeliz cultura de desvalorização desse grupo. Portanto, é notório que medidas devem ser tomadas para superarmos esse desafio.

Sob um primeiro viés, é válido ressaltar que empresas do ramo de informática desenvolvem sistemas digitais efêmeros e abstrusos, que distanciam os idosos dos meios de comunicação. Esse quadro se dá, porque a atual indústria capitalista opta por criar constantemente novas versões de um mesmo utensílio, para estabelecer um consumo direcionado. Desse modo, tais práticas violam o que rege o artigo 19 do Pacto Internacional dos Direitos Civis estabelecido pela Organização da Nações Unidas que comprova a garantia do acesso a rede como direito básico e igualitário a todas as gerações. Um exemplo disso são as atuais funções dos celulares que dificultam o uso por pessoas com limitações físicas e motoras.

Ademais, também é válido destacar que em uma sociedade que privilegia a juventude, os cidadãos seniores perdem seu valor, o que compromete em sua inserção no meio tecnológico. Esse preocupante quadro pode ser analisado pela tese Valor de Uso de Karl Marx, a qual afirma que a importância de algo é determinada de acordo com a utilidade de suas propriedades físicas. A partir desse viés, é comprovado que a descriminação etária para com os idosos faz com que os jovens desconsiderem a sabedoria e as contribuições dos mais velhos, e os desmotivam a experimentar o mundo digital. Diante disso, é notório a necessidade de mudanças para impedir a prática do ageísmo.

Em síntese, não é necessário somente uma revolução tecnológica mas também humana e social. Logo, urge que empresas privadas do segundo setor da economia, como responsáveis pelo controle socioinformacional no comércio, desenvolvam produtos digitais direcionados ao público idoso, através de novos aparelhos celulares e aplicativos com metodologia, designe e preço simplificado, afim de tornar um uso acessível. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover projetos como aulas presenciais de informática onde jovens possam ensinar e interagir com os anciãos, valorizando assim o conhecimento mútuo. Por conseguinte, tais medidas levarão a inclusão digital da terceira idade.