Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 08/04/2020

O filme americano “Um Senhor Estagiário” retrata a vida do septuagenário Ben Whittaker, que, já entediado com a aposentadoria, torna-se estagiário sênior de um site de moda. Inicialmente, Ben enfrenta dificuldades para se adaptar aos recursos tecnológicos da empresa, mas conta com a prestatividade de seus colegas de trabalho. Fora das telas, a realidade hodierna brasileira é divergente, visto que, embora apresentem inúmeras adversidades na integração ao mundo digital, a população idosa nem sempre é auxiliada. Isso acontece em parte devido às barreiras intelectuais impostas, e também em razão do desamparo familiar e social frente a essa situação. Destarte, convém a discussão sobre o cenário apresentado, buscando, portanto, revertê-lo.

Em primeira análise, as barreiras intelectuais são um dos principais entraves da inclusão digital na terceira idade. O Estatuto do Idoso, criado em 2003, destaca a importância da integração dos idosos aos aparatos digitais. Tal integração, porém, ainda é muito dificultada pela falta de adaptação dos equipamentos tecnológicos às necessidades do público idoso, haja vista que estes muitas vezes possuem fontes muito pequenas e configurações complexas, que culminam na subutilização dos recursos pelos mesmos. Deste modo, os mais velhos acabam excluídos da comunidade online e de diversas atividades sociais que ocorrem no âmbito digital.

Em segunda análise, o desamparo familiar e social também é um fator agravante da exclusão da população idosa. Segundo o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, temos de nos tornar a mudança que queremos ver. Nesse contexto, é dever da família, sociedade e Estado, conforme assegurado pela Constituição Federal, ser instrumento da integração dos idosos aos meios digitais, em prol do desenvolvimento social e cognitivo dos mesmos. Ademais, o IBGE informa que até 2050, 25% da população mundial terá 60 anos ou mais, e, para que isso ocorra de maneira saudável e inclusiva, é fundamental a adaptação dessa crescente parcela populacional às tecnologias. Logo, é imprescindível o apoio social na educação digital deste público específico.

Diante do supracitado, ficam evidentes os desafios enfrentados no combate ao analfabetismo digital na terceira idade. Sendo assim, cumpre ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em parceria com a mídia, estimular, por meio de campanhas, a participação familiar e social na educação digital dos idosos, conscientizando-os quanto à importância desse apoio. Além disso, cabe ao Estado a elaboração de leis que obriguem as empresas de tecnologia a tornarem seus aparelhos mais inclusivos e de configuração mais dinâmica, facilitando a assimilação do público. Desta forma, os idoso serão inseridos numa sociedade mais solícita, a exemplo dos companheiros de Ben, na ficção.