Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 08/04/2020
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama reflete na análise dos desafios para a inclusão digital da terceira idade, visto que o número de idosos com mais de 65 anos passa por uma crescente expansão e a maioria deles é desconectado do mundo virtual e tecnológico, principalmente devido ao medo ou receio em relação aos aparelhos tecnológicos e ao preconceito recorrente em relação a esses cidadãos. Portanto, é indispensável que estímulos e avanços sejam realizados a fim de combater essa problemática.
Em primeiro plano, é válido destacar o receio que os idosos possuem em danificar os aparelhos tecnológicos como um empecilho no processo de inclusão digital desses indivíduos. De acordo com a pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), do total de entrevistados, 24% relataram ter medo de utilizar as novas tecnologias e 40% alegaram ter receio de danificar os equipamentos. Assim, é notório que é comum o temor desses cidadãos em não saber utilizar, de errar e das consequências do suposto erro, causando até uma diminuição da própria autoestima,porém, observa-se que esse amedrontamento distancia gradativamente os anciãos dos meios digitais. Dessa forma, deve-se haver um suporte maior que garanta a segurança e tranquilidade necessária aos idosos em se conectar com esse mundo virtual.
Em segunda análise, pode-se mencionar o preconceito recorrente em relação aos mais velhos como um algoz para a inclusão digital dessa parcela da sociedade. Segundo o físico alemão Albert Einsten, a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original. A partir dessa máxima, é nítido que os idosos até tentam buscar novas experiências e contatos tecnológicos para saber o que acontece no mundo e se atualizar com a modernidade. Porém, geralmente, esses indivíduos procuram ajuda primeiramente com sobrinhos e netos que são mais jovens e não possuem o retorno esperado, visto que esses não tem paciência de explicar os detalhes necessários para que um ancião aprenda, causando um preconceito para com eles. Logo, é necessário um amparo maior em relação aos métodos de ajuda para o acesso a esses meios modernos, os quais nem todos tem acesso.
Diante dessa problemática, nota-se que os idosos, apesar dos medos, buscam se integrar e se aperfeiçoar no processo de entrada na modernidade. Portanto, é imprescindível que os governos, juntamente com o Ministério de Educação e Tecnologia, disponibilizem cursos gratuitos para os mais velhos, com um período de 2 meses e com cargas horárias de duas a três horas, visando o estímulo da memória e a inclusão digital dos idosos, fazendo valer a máxima da coletividade de Lévi-Strauss.