Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 14/04/2020
Para o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Portanto, ao analisar o fato social, Durkheim discorre sobre diversas situações importantes para a evolução da sociedade, nas quais se pode correlacionar os desafios para a inclusão digital da terceira idade. Logo, fatores como, a indiferença da família e do Estado, e a defasagem cognitiva e social do idoso corroboram para esse status quo. Assim, uma sensibilidade comunitária é imperativa.
Em primeiro plano, é válido destacar que o Brasil está em processo de transição demográfica e o número de idosos cresce cada vez mais. Por outro lado, a inclusão tecnológica desse setor populacional decresce, metaforizando a teoria Malthusiana, conforme uma progressão geométrica. Nesse sentido, o Estatuto do Idoso de 2003 assevera que é dever principal da família efetivar os direitos básicos e a inserção no ciberespaço e, quanto ao Poder Público, obriga-o a criar oportunidades de acesso à educação, por meio de cursos especiais que incluem conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e avanços tecnológicos. Porém, essa não é a realidade do país, haja vista que, segundo o IBGE, apenas 31,1% da terceira idade utilizam a internet. Com isso, políticas públicas mais concisas e maior envolvimento familiar são necessários.
Em uma segunda análise, é indispensável ressaltar que, com o avanço da idade, diversas barreiras cognitivas e fisiológicas aparecem. Nesse contexto, declínios como perda parcial da visão e audição, diminuição da capacidade locomotora e da memória de curto prazo provocam imensas dificuldades na compreensão, percepção, assimilação e interpretação de informações e, consequentemente, prejudicam a interação com os aparatos tecnológicos. Outrossim, a desapropriação da autonomia do idoso não é mais justificada somente pelos limites físicos, mas também pelo falso estereótipo reforçado pela sociedade de que este é incapaz de realizar tarefas mais complexas, retirando seu livre arbítrio de escolhas e tomada de decisões. Diante disso, a criação de uma opção para instalar softwares simplificados nos aparelhos torna-se uma solução viável.
Destarte, é evidente a situação alarmante na qual a terceira idade está inserida em relação à inclusão digital. Dito isso, cabe ao Estado destinar políticas públicas para a criação de oficinas gratuitas de educação virtual para idosos e também dialogar com empresas tecnológicas para uma instalação em alta escala de interfaces simples e úteis nos aparelhos. Ademais, cabe também à população fazer sua parte e entender que essa parcela precisa se modernizar, por meio de um destaque maior do assunto nas mídias, e assim, diminuindo essa brecha digital exposta aos mais velhos.