Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 25/04/2020

Segundo Aristóteles, “a cultura é o melhor conforto para a velhice”. A frase formulada pelo filósofo grego, o qual viveu no período datado de 385 a.C. a 323 a.C., relembra a época em que as pessoas com mais idade eram consideradas as mais sábias e, por isso, eram requisitadas para ajudar os problemas da comunidade, dar conselhos, entre outros. As sociedades, em geral, consideravam sábios aqueles que alcançavam o estado da velhice. No entanto, com o passar do tempo, esse status se torna cada vez mais ameaçado. Atualmente, mesmo que não seja visível, a discriminação sofrida pela Terceira Idade existe; seja através dos jovens ou pela sociedade como um todo, a qual, muitas vezes, trata o idoso como um peso. Um pensamento errado que pode resultar na criação de barreiras que impedem os mais velhos de ter acesso às tecnologias atuais e, consequentemente, à cultura, a qual, hoje em dia está muito ligada ao universo cibernético. Além disso, a falta de cuidado com essa parcela da população leva dificuldades a sua inserção no meio digital, a exemplo da adversidade ocasionada pela falta de disponibilidade de produtos adequados para a adaptação nesse meio e o medo de utilizar aparelhos tecnológicos.

É importante frisar que, para muitas pessoas as quais não nasceram nessa época, pode ser difícil encontrar comodidade na era digital. De acordo com uma pesquisa feita pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em todo o país, cerca de 67% dos idosos são responsáveis por fazer suas próprias compras e 34% dessa parcela diz sentir falta de produtos para a Terceira Idade. O produto mais citado é o celular (13%), o qual, para eles, deveria ter teclado e telas maiores. Este fator somente limita mais as possibilidades dentro do mundo cibernético e prejudica o processo de integração ao mundo moderno.

Correlacionada a estes aspectos, existe a falta de suporte aos interessados com idade mais elevada, a qual pode levá-los ao medo de usar aparelhos como celular, computador e outros. Segundo uma pesquisa feita na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), 24% dos 100 entrevistados relataram ter medo de utilizar as novas tecnologias e 40% diziam ter receio de danificar os aparelhos. O medo pode conduzir as pessoas a se afastarem de novas possibilidades de aprendizado, retardando e até impedindo o processo de inclusão na era digital.

Dessa forma, é necessário que a Anatel e o Ministério Público do Idoso entrem em consenso para beneficiar os mais velhos e conseguir desenvolver produtos que os atendam da melhor forma possível. Outrossim, o desenvolvimento de cursos e palestras desenvolvidos por ONGs voltados aos idosos poderiam ajudá-los a perder o medo e se aproximarem cada vez mais do mundo virtual.