Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 10/05/2020
O filósofo Platão, na obra “A República”, retrata o diálogo do Sócrates com o velho amigo Céfalo, o qual suplica pela sua companhia, pois, devido à idade avançada, está impossibilitado de ir à cidade para confraternizar com os amigos. Fora desse diálogo, é perceptível a semelhança com o cenário da terceira idade brasileira que se encontra relegada ao segundo plano na questão da socialização digital.Essa problemática persiste à medida que a família e o Estado permanecem inoperantes, necessitando-se de mudanças.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a escassez de estímulos para a submersão dos idosos no meio digital os coloca na espera de uma força atuante capaz de mudar tal situação de estagnação. Esse estado condena os idosos à ineficiência do exercício da cidadania digital, uma vez que são impedidos, por falta de incentivo familiar, de adentrar no mundo virtual e assim interagirem com os inclusos digitalmente. Isso constituí-se uma situação preocupante, pois, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa representa 13% do povo brasileiro, porcentagem excluída do mundo virtual. Logo, é necessário que o estímulo advenha, sobretudo, através de familiares, uma vez que esses são um dos responsáveis pela integração efetiva do idoso na sociedade.
Em segundo lugar, é necessário frisar que a legislação brasileira já oferece aparato suficiente na defesa da pessoa idosa no âmbito civil, como exemplo, o Estatuto do Idoso. Porém, ainda possui lacunas no acolhimento dos idosos para o espaço cibernético, uma vez que a Política Nacional do Idoso (PNI) não está totalmente cumprida, fato comprovado pela . Nesse sentido, os esforços do Poder Federal devem se direcionar para o investimento da cidadania digital do idoso, e assim, cumprir o que é garantido pela lei, para que esse cenário de descaso possa se reverter.
Diante dos fatos supracitados, percebe-se que a inclusão digital da terceira idade precisa ser efetivada pelos esforços dos familiares e do Estado. Para tanto, é preciso que o núcleo familiar da pessoa idosa a inclua nas atividades digitais, através da instrução do uso de aparelhos eletrônicos nas redes sociais, a fim de facilitar a comunicação do idoso no espaço virtual. Além disso, o Poder Executivo deve concentrar esforços na integração do idoso, por meio de incentivos monetários, para que, assim, o cumprimento da lei seja alcançado. Dessa forma, a terceira idade brasileira, diferentemente de Céfalo, se sentirá incluso na sociedade.