Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 31/05/2020

A Terceira Revolução Industrial, a partir de 1970, proporcionou avanços tecnológicos necessários para o surgimento da “Era Digital”. Nela surgiram formas de prover mudanças nas rotinas diárias, com aplicativos de bancos e compras onlines, comunicação entre pessoas distantes e maior acesso à entretenimento. No entanto, percebe-se que os idosos não desfrutam plenamente desses benefícios digitais o que caracteriza uma exclusão nessa era. Sendo assim, é imperioso entender contribuintes para tal fato, como o descaso social e baixos investimentos governamentais.

Primeiramente, entender o preconceito social ao idoso mostrará sua relação com a baixa inclusão tecnológica deles. A filósofa Simone de Beauvoir, em sua obra “A Velhice”, explana um mal social gerado pela visão capitalista sobre a terceira idade. Consoante a ela, idosos são vistos como incapazes e inúteis, o que gera uma invisibilidade social - ela é refletida de várias formas nos dias hodiernos, inclusive como a exclusão deles nos avanços digitais. Consequentemente, enquanto os idosos não forem vistos como parte vital da comunidade, eles continuarão sendo excluídos. Nota-se, pois, a necessidade de romper com visões errôneas sociais, para que haja a inclusão deles nessa nova era.

Ademais, a inexpressiva atuação do governo auxilia a exclusão digital do idoso. A entrada do mundo na Quarta Revolução Industrial, em 2010, evidenciou um acelerado desenvolvimento tecnológico, o que implica em constante atualização individual para alcançá-lo. Dessa forma, à medida que os idosos são deixados de lado pela sociedade, é dever do Estado - presente na Constituição de 1988 - garantir meios e recursos para a inserção e atualização dos idosos em tais avanços. Entretanto, mesmo que haja programas, o governo não atinge êxito total, o que é evidenciado pela alta taxa de idosos sem noções básicas de internet. Com isso, são necessários maiores investimentos do governo para incluir e promover educação digital aos idosos.

Medidas, portanto, para minimizar os impactos negativos que a visão social e a ineficácia governamental têm sobre a inclusão digital do idoso são necessárias. Assim, as escolas devem educar os alunos sobre a importância dos idosos, por meio de palestras interdisciplinares. Nelas, os professores, como de filosofia e história, mostrarão o tratamento dos idosos e os benefícios deles estarem inclusos na era digital, como o afã de formarem jovens conscientes e que proporcionem a inclusão tecnológica dessa população. Além disso, o governo necessita ampliar os programas de educação digital aos idosos, com cursos gratuitos - fornecidos por parceiros, como SESC e SENAI. Tais cursos garantirão noções básicas da internet, a fim de emancipá-los nos recursos tecnológicos. Dessa maneira, os idosos desfrutarão dos benefícios que a era digital proporciona.