Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 22/11/2020
No filme estadunidense “O estagiário” há a representação dos desafios enfrentados pelo personagem principal, um homem idoso, para se conectar com as mídias sociais e produtos tecnológicos. De maneira análoga à história fictícia, esses problemas persistem na sociedade contemporânea, pois o meio digital ainda é inacessível e de difícil acesso para as pessoas da terceira idade. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e excludentes.
Desde a terceira revolução técnico-científica, as evoluções tecnológicas cresceram exponencialmente, permitindo avanços nos meios de comunicação, na indústria, na tecnologia e em diversos aspectos. Nesse viés, dentre os avanços possibilitados pela revolução industrial, a tecnologia assistiva é um meio de acessibilidade que proporciona e amplia habilidades funcionais, no entanto, quando se observa a grande maioria dos sites, é visível que ainda não são acessíveis devido a sua complexidade.
Ademais, é inegável que as tecnologias têm se tornado cada vez mais presentes em todos os aspectos da vida humana impactando e afetando a sociedade. Desse modo, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, em 2016, mais de 5 milhões de idosos tiveram acesso à internet, porém apesar do ingresso nesse meio, não há investimento digital para esse público, que enfrenta barreiras do que poderia ser um instrumento para melhorar a qualidade de vida dessa população. É inadmissível, que em uma sociedade com tanto progresso tecnológico, ainda tenha um regresso tão grande em relação a acessibilidade digital.
Fica claro, portanto, que o comportamento dos usuários está ligado a disponibilidade de ferramentas para uso. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Cidadania disponibilize recursos para o enfrentamento à exclusão de minorias digitais, por meio de cursos e palestras intuitivas sobre o uso de novas tecnologias, e incentive empresas com isenção fiscal, para que se possa desenvolver ferramentas específicas, que incluam o público acima de 60 anos, para que, dessa maneira, a população que em filmes se encontram com dificuldades para se inserir no meio digital, tenha sua plena cidadania exercida na vida real.