Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 07/07/2020

Em sua canção “Pela Internet”, o cantor brasileiro Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas plataformas digitais para seus usuários. No entanto, percebe-­se que, no Brasil, o acesso a essas informações não é plenamente assegurado, haja vista que a terceira idade enfrenta inúmeras dificuldades para lidar com as novas tecnologias. Logo, faz-se fulcral entender como o preconceito enfrentado por esses cidadãos e o desinteresse governamental cooperam para a persistência dessa conjuntura.

Nesse contexto, é necessário salientar que o preconceito para com a terceira idade dificulta a utilização das novas tecnologias pelos membros desse grupo. Dessa forma, é imprescindível citar que no livro “A Velhice: Realidade Incômoda”, de Simone de Beauvoir, a filósofa afirma que o problema da velhice está no fato do homem não enxergar em seu futuro essa condição. Portanto, para que a velhice assuma o importante papel que lhe é devido, Beauvoir propõe que as pessoas se reconheçam nos idosos e abandonem a indiferença em relação aos infortúnios da idade final. Assim, haveria uma gradativa valorização do idoso e as pessoas, principalmente as mais jovens, se sentiriam instigadas a auxiliar as antigas gerações a utilizar as redes sociais.

Outrossim, percebe-se a indiferença do Estado perante a inserção dos idosos na era digital. Conforme a psicóloga brasileira Ecléa Bosi, no livro “Memória e Sociedade”, a sociedade capitalista desarma o sujeito, mobilizando mecanismos pelos quais oprime a velhice. Para Bosi, oprime-se o idoso por intermédio de mecanismos institucionais: a burocracia da aposentadoria e dos asilos, a recusa do diálogo, o banimento e a discriminação. Além disso, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, apenas 20% das pessoas na faixa de 60 anos ou mais alegaram ter utilizado a internet nos meses anteriores ao estudo. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos — órgão responsável por promover a igualdade e combater todas as formas de preconceito e discriminação presentes na sociedade brasileira — deve criar políticas públicas relacionadas à valorização e inclusão digital dos idosos. Isso deverá ser feito através de campanhas e debates realizados em espaços públicos, com o fito de influenciar a família e a comunidade a promover atos que auxiliem na integração digital dos idosos, estimular a solidariedade e propostas inovadoras, ressaltando a importância de facilitar o acesso às novas tecnologias para a terceira idade na promoção da cidadania, evitando a exclusão social.