Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 11/07/2020
O livro o Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, retrata a história do Santiago, senhor humilde e simples, que almejava partir para uma aventura e pescar um grande peixe. Contudo, seu objetivo é depreciado pelos pelos outros moradores da vila que o veem como velho e obsoleto. Fora da ficção, é nítido os desafios da inserção dos idosos em determinadas atividades, o que se reflete também no trâmite para a inclusão digital da terceira idade. Nesse sentido, a problemática evidencia-se, sobretudo, pela inexperiência dos idosos com a linguagem digital, bem como a indiferença política.
Em primeiro lugar, é importante destacar a influência das tecnologias digitais atualmente, devido à capacidade de comunicação e interação à longas distâncias. Todavia, é notório que os celulares e computadores, majoritariamente, não possuem uma conformação amistosa ao universo e às particularidades dos idosos. Comprova-se, assim, pela pesquisa divulgada pela Globo, em 2014, que afirma que 40% das pessoas acima de 60 anos não utilizam smartphones por não saber usar o dispositivo. Ainda nessa lógica, como expõe os estudos do sociólogo Pierre Bourdieu, para um indivíduo enriquecer sua existência é de suma importância a plena convivência com os valores e os elementos presentes na sociedade. Dessa maneira, portanto, a insciência da terceira idade com o uso das novas tecnologias configura-se como uma mazela para a integração digital deles, sendo assim, algo grave ante a tese de Bourdieu.
Por conseguinte, a imprudência dos políticos, nocivamente, mantém o cenário do analfabetismo no domínio virtual para a população provecta. Desse modo, a displicência dos governantes deve-se à baixa mobilização no congresso para projetos que promovam a lecionação de atividades básicas a essa camada desfavorecida, por exemplo, enviar mensagens, fotografar e fazer chamadas de voz, fatos que se comprovam pela mesma pesquisa anunciada pela emissora há 6 anos. Logo, semelhante à história de Santiago, a vontade dos idoso, muitas vezes, é reprimida devido ao desinteresse do Estado com o aprimoramento da experiência social dos idosos.
Destarte, medidas são necessárias para promover a inclusão digital da terceira idade. Urge que o Ministério da Educação promova, nos colégios públicos e nos particulares, o programa “O novo Santiago”, responsável pela formação de salas especializadas. Nessa óptica, esse programa será realizado por meio do contrato de profissionais que realizam atividades lúdicas para o ensinamento de serviços simples oferecidos pelos celulares e pelos computadores aos idosos. Enquanto isso, aprimorar a memória e a auto-estima deles . Espera-se , sob essa perspectiva, que o subjugo dos desejos dos idosos se restrinja a obra de Hemingway, bem como a concretização da máxima de Bourdieu.