Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 16/07/2020
Na mitologia grega, Zeus sentencia Atlas, um dos titãs que atacara o Olimpo, a passar a eternidade sustentando os céus sobre seus ombros. De maneira análoga, percebe-se, na atualidade brasileira, que os idosos são obrigados a carregar o peso da desinformação digital, uma vez que são o grupo etário que menos interage com as mídias eletrônicas. Nessa perspectiva, é de extrema importância resolver esse grave problema, haja vista que ele representa um descumprimento governamental de um direito adquirido e, ademais, contribui para a manutenção do preconceito.
A princípio, é incontrovertível que a falta de inclusão tecnológica dos mais velhos é um desrespeito do Estado aos princípios legais. Sob essa ótica, o economista indiano Amartya Sen afirma que é dever do Poder Público agir conforme o que diz a norma vigente e, por consequência, garantir o bem-estar social. Contudo, é indubitável que isso não ocorre, a julgar pelo fato de a Constituição de 1988 assegurar que todos os cidadãos devem ter acesso à informação - seja ela digital ou não - e, no caso da terceira idade, tal direito não ser firmado na prática. Dessa forma, os anciões ficam expostos à triste condição de desamparo institucional, causada pela ineficiência do governo.
Ademais, é evidente que a problemática supracitada é um estimulador do preconceito para com os indivíduos de idade elevada. Acerca disso, a novela “As Aventuras de Poliana” contou a história de Dona Branca, uma senhora que, ao tentar aprender a usar as redes sociais, é criticada por seus netos. Tal narrativa mostra como existe a falsa e preconceituosa ideia na qual uma pessoa deve ser julgada por seus anos de vida e não por suas habilidades específicas. Dessa maneira, constata-se que o idoso, além dos problemas inerentes à velhice, como o esquecimento e a lentidão, tem de lidar com a aversão causada pelo desconhecimento.
Logo, medidas são necessárias para atenuar o quadro deletério. Dessarte, o Ministério da Educação, órgão responsável pela formação de todos os brasileiros, deve, por meio de parcerias com as Secretarias de Educação municipais, criar o programa “O idoso na era digital”. Nele, com o fito de disseminar o conhecimento tecnológico, serão realizadas palestras e minioficinas nas quais o idoso aprenderá a mexer no celular e computador. Fora isso, os pais devem educar seus filhos para que eles respeitem os outros. Assim, a escassez de inclusão digital dos mais velhos se resumirá à mitologia.