Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 26/09/2020
Na série americana “One day at a time” a idosa Lydia é uma analfabeta digital que vive com sua filha e seus netos adeptos da tecnologia, fato que proporciona ensinamentos e momentos de interação, juntos eles aprendem e buscam o bem-estar no convívio familiar. Fora da ficção, nem sempre a realidade se mostra a mesma, sendo por muitas vezes um cenário conturbado. Dessa forma, a falta de preparo e a violação da liberdade individual são fatores diretamente relacionados a não inclusão digital da terceira idade.
Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução as brechas na formação do indivíduo. Conforme Nelson Mandela, apenas o aprendizado é capaz de mudar o mundo, porém, no país, esse conceito apresenta-se relegado a segundo plano, à medida que como se relacionar e auxiliar os anciões não é abordado por conta da ausência de verbas, já que, de acordo com dados do portal UOL, o investimento em ensino decaiu 56% nos últimos quatro anos, outrossim, sem medidas efetivas, como aulas e palestras que preparem adequadamente o ser para ensinar e preparar os idosos a fim de capacitá-los digitalmente, torna-se difícil modificar o cenário lamentável de descaso com a relação entre a tecnologia e a idade avançada.
Ademais, a restrição da liberdade é uma consequência da exclusão digital dos mais velhos. Segundo Jean Paul Sartre, o indivíduo é condenado a ser livre e responsável por si. Contudo, a falta de inclusão tecnológica confronta a ideia do pensador, pois, as pessoas tem seu direito de expressão impedido, porque, se uma parcela da população não pode se manifestar nos meios de comunicação eles tem sua manifestação cessada, como ocorre com 81% dos anciões, de acordo com o IBGE. Destarte, as redes sociais, por exemplo, passam a ser ambientes pouco democráticos e infelizmente tornam-se um reflexo da segregação contemporânea no Brasil.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação e o da Ciência, Tecnologia e Informação ajam em parceria e criem eventos e palestras, além de ampliar as preexistentes, por meio de uma divulgação nas redes sociais e nas instituições públicas para aumentar o conhecimento a respeito do tema, em que será possível promover um auxílio aos idosos no campo digital. Feito isso, será possível assegurar direitos, para, assim, verdadeiramente promover bem-estar aos cidadãos.