Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 14/09/2020
Em sua etimologia, a palavra “educar” significa conduzir um indivíduo ou grupo a um patamar superior. Entretanto, no Brasil, em pleno contexto hodierno, tal vocábulo vem perdendo sua essência, visto que os idosos não são educados para se incluírem plenamente no ambiente digital. Diante disso, é necessário estabelecer que o preconceito enraizado na sociedade tecnológica e a escassez de investimentos em políticas públicas por parte das entidades governamentais, fazem com que a educação não ocorra e, consequentemente, a inclusão digital seja uma utopia.
Em primeiro lugar, é válido destacar que o desprezo propagado pelo público jovem é um dos “antígenos” que impossibilitam a integração digital dos indivíduos da terceira idade. Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, a qual definiu em um dos seus artigos que todos cidadãos são iguais perante a lei. No entanto, o caráter acolhedor e igualitário da Carta Magna do país é constantemente violado, uma vez que os adolescentes e adultos apresentam fenótipos preconceituosos, os quais são pautados na incapacidade dos idosos de aprender e produzir no âmbito tecnológico. Com isso, o grupo social mais antigo não é educado para ingressar na web e acabam desenvolvendo o sentimento de impotência.
Além disso, existe outro fator que impossibilita a inserção digital dessa parcela da população no território nacional. O pouco ou inexistente investimento em políticas de educação tecnológica para os cidadãos da terceira idade é um dos coeficientes que travam a inclusão dessa comunidade. Nesse sentido, é imprescindível salientar que essa moléstia de investimentos decorre dos escândalos de corrupção, os quais sugam um imenso contingente de verbas que poderiam ser usadas para o bem comum. No livro “Raízes do Brasil”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, é apresentado o conceito do “Jeitinho brasileiro”, que faz referência ao fato do povo brasileiro utilizar meios ilícitos para satisfazer seus desejos. Logo, estabelece-se que os contínuos atos corruptos impedem a aplicação de dinheiro em práticas de organização coletiva e, por conseguinte, inibem a incorporação digital dos idosos.
Em suma, soluções precisam ser pensadas para atenuar tais impasses. O Ministério da Educação deve, por meio de modificações na Base Nacional Comum Curricular, implementar um maior número de aulas de ética nas escolas de todo o país, a fim de que os indivíduos desenvolvam o respeito e a empatia para ajudar os idosos com os mecanismos digitais. Cabe também ao Ministério da Justiça, por intermédio de decretos presidenciais, criar delegacias específicas para punição de crimes de corrupção, com a finalidade de assegurar que o dinheiro público subsidie políticas de educação tecnológica para indivíduos da terceira idade. Dessa forma, a educação será plena e o bem-estar será garantido.