Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 25/09/2020
Promulgada pelo Estado Brasileiro, em 2003, o Estatuto do Idoso garante a todos os idosos o direito à educação e ao bem-estar social. Conquanto, a exclusão digital da terceira idade impossibilita que essa parcela da população desfrute desses direitos nacionais na prática, haja vista a ineficiência da educação digital neste grupo social, bem como a volatilidade contemporânea no século XXI. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeiro lugar - para entender a complexidade do entrave - é fundamental compreender a ausência da educação digital ao grupo da terceira idade. Nesse sentido, de acordo com Paulo Freire, educador brasileiro, a educação, sozinha, não transforma a sociedade, entretanto, sem ela, a sociedade tampouco possa mudar. Diante do exposto, é essencial analisar a relação da essencialidade do ensino digital para idosos e as transformações digitais hodiernas, visto que há a necessidade da instrução e formação educacional especializada deste grupo social ao mundo contemporâneo, corroborando ao enfrentamento da exclusão digital e a redução das desigualdades sociais. Dessa maneira, é um equívoco não considerar a imperativa ação para mitigar esse estorvo.
Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez contemporânea como impulsionadora e agravante ao estigma. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar social da coletividade e tornando-se cada vez mais insustentáveis. Diante de tal contexto, a sociedade, marcada por essa liquidez, tende a ser mais imediatista e etérea, afetando, em um aspecto sociofamiliar, a sustentabilidade e a benevolência do corpo social, haja vista que a volatilidade impossibilita a complacência e a serenidade dos indivíduos em prol do ensino digital aos idosos.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver essas adversidades. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, em junção com a iniciativa privada, deve estabelecer, por intermédio de verbas governamentais, programas especiais de integração digital, como cursos de ensino, atividades educacionais e oficinas de tecnologias, com o intuito de educar e incluir os idosos no mundo digital. Ademais, cabe também à mídia - como formadora de opinião - promover, por meio de propagandas, a conscientização da população sobre a importância do apoio e complacência na educação digital dos idosos. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da exclusão digital dos mais velhos, alcançando o estágio oposto da máxima Baumaniana.