Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 01/10/2020

De acordo com o Equilíbrio Aristotélico, proposto pelo filósofo Aristoteles, só poderá existir igualdade por meio da justiça. No entanto, grande parte da população de idosos não goza deste direito, uma vez que estão cada vez mais afastados da educação digital em razão a falta de investimento governamental, consoante a ausência de incentivo familiar. Deste modo, salienta-se a problemática dos desafios para a inclusão digital da terceira idade.

Em um primeiro momento, a falta de reconhecimento da importância de uma inclusão tecnológica para este público alvo caracteriza a displicência por parte do governo. Dessa maneira, o governo não reconhece a necessidade de investir financeiramente em profissionais para auxiliar os mais velhos em tarefas como, por exemplo, buscar notícias em computadores ou celulares, dado que estes não ocupam mais espaço no ramo laboral, ou seja, de certa forma não ajudam a movimentar a economia. Sob tal ótica, os anciãos são vistos de forma obsoleta pelo Estado, mesmo que ainda sejam capazes de dominar conteúdos de diversas outras áreas.

Por outro lado, é possível perceber que o caráter individualista da humanidade impede que tais conhecimentos digitais sejam passados para as gerações antigas. Em paralelo, Bauman, filósofo polonês, por meio de sua obra “Sociedade Líquida” reconhece que as relações interpessoais estão se tornando extremamente fluidas e rasas, ou seja, sem um real vínculo afetivo. Em reflexo disso, os idosos muitas vezes são ignorados em seu leito familiar quando solicitam auxílio para lidar com as novas tecnologias.

Fica evidente, portanto, que a garantia a inclusão digital dos idosos encontra-se contestada. Logo, é dever do Estado, aliado ao Estatuto do Idoso realizar políticas públicas enérgicas que proporcione a estes indivíduos uma velhice de qualidade. Isso pode ser feito por meio da criação de centros de entretenimento nas comunidades, que apresente cursos com foco em atividades digitais, além de profissionais capacitados a auxilia-los nas tarefas. Por fim, é de suma importância haver palestras e rodas de conversa com a sociedade em geral com o intuito de alertá-la a respeito da situação dos idosos, bem como auxiliá-la no tratamento direcionado àqueles que os deram a vida.