Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 10/10/2020
Na sociedade espartana da Grécia antiga, dentre os núcleos de governo existentes que comandavam a polis, a “gerusia” se destacava por ser formada integralmente pelos anciões detentores de uma vasta influência na tomada de decisões políticas. Não obstante, no século corrente, a terceira idade brasileira acaba sendo excluída da participação social ativa, devido à revolução tecnológica e seus produtos que não são acessíveis em larga escala para tal parcela da população. Assim, os desafios para a inclusão digital dos idosos, no Brasil, giram em torno da melhoria dessa acessibilidade, possuindo seu cerne no combate à resistência apresentada em relação às novas tecnologias e na não adaptação destas para o cognitivo dos novos usuários em questão.
Tal impasse é ilustrado no livro “Gabriela Cravo e Canela” de Jorge Amado quando, diante da problemática da baia que impedia a atracação de grandes navios, novas tecnologias que pudessem resolver o problema foram duramente criticadas pela população idosa de Ilhéus. Dessa forma, infere-se que existe uma negação do progresso trazido com o século XXI, uma vez que, para a terceira idade, tais avanços se distanciam muito daquilo que foi considerado certeiro por esse grupo ao longo da vida. Logo, diante da necessidade, a abertura a tudo aquilo que é novo acaba surgindo gradativamente, apenas se explicações detalhadas, apoios e suportes forem fornecidos.
Ademais, essa resistência apresentada acaba sendo fundamentada também pela dificuldade no manuseio dos aparelhos eletrônicos modernos, uma vez que estes foram criados para serem utilizados principalmente pelos mais jovens que já nasceram na era tecnológica, e possuem tecnologias modernas programadas para atenderem suas funções cognitivas. Outrossim, a tecnologia acaba não sendo acessível para terceira idade, pois não leva em consideração a tese abordada por Aristóteles que defende que os desiguais devem ser tratados na medida de sua desigualdades. Dessa forma, softwares complexos, letras pequenas e ícones de aplicativos semelhantes dificultam a inclusão digital daqueles que possuem déficits que são potencializados por tais características.
Urge, portanto, a necessidade que o Estado intervenha para promover a inclusão digital da terceira idade brasileira garantindo que tal grupo a exerça a cidadania plena. Para tal, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promover o desenvolvimento de um software menos complexo pensado e adaptado para as limitações do idoso, que possa ser instalado nos dispositivos modernos. Além disso, cursos gratuitos devem ser oferecidos pelo Ministério da Educação em faculdades federias visando o ensino direcionado para as necessidades desse grupo. Assim, a participação deles na sociedade será ampliada e sua influencia resgatará os ideias espartanos.