Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 15/10/2020

Na mitologia grega, Teseu derrotou o Minotauro ao portar apenas uma espada e um novelo de lã. Fora da ficção, o mito adapta-se à temática dos desafios para a inclusão digital da terceira idade. À luz disso, é necessário que essa crescente parcela da população seja inserida, gradualmente, no mundo tecnológico – com a finalidade de mitigar os preconceitos contra esse grupo social. Nesse espectro, a inação governamental e civil e a resistência dos idosos às novidades eletrônicas dificultam a busca por uma interação respeitosa entre diferentes faixas etárias – tanto na esfera virtual quanto na física.

A priori, cabe mencionar o artigo 5º da Constituição de 1988, que garante a igualdade entre os brasileiros. Todavia, esse direito é violado com frequência, uma vez que, por conta dos empecilhos presentes na adaptação dos anciãos à modernização constante, é gerada uma exclusão e hierarquização durante o convívio com outras pessoas. Nesse sentido, é comum os mais novos substituírem o diálogo presencial pelas redes sociais e, dessa forma, deixarem desassistidos aqueles que não estão inteirados nesse meio. Somado a isso, os governantes possuem pouco interesse em resolver essa pauta - já que muitas pessoas com mais de 65 anos estão fora do mercado de trabalho.

A posteriori, em virtude das assíduas inovações na atualidade, os fluxos de informações tornam-se instantâneos e virtuais. Dessa maneira, é fundamental a terceira idade saber como as dinâmicas contemporâneas funcionam. Contudo, aspectos como o medo de estragar aparelhos, de se conectar com outros seres humanos de um modo diferente, de “trair o passado” ao se “render” ao novo e de ser visto como antiquado reduzem o número de sujeitos mais velhos que mergulham no oceano de recursos digitais. Em contrapartida, segundo o pedagogo brasileiro Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. Sob essa óptica, aprender algo não pressupõe uma inteligência inferior, mas sim uma relação produtiva de troca de conhecimento entre iguais.

Logo, é mister que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) contrate profissionais de informática para atenderem os idosos nos centros culturais. Para tanto, é necessário redirecionar verbas públicas – por meio da diminuição de salários de políticos e da redução da parcela financeira destinada ao Exército – de modo a converter esse dinheiro em conhecimento. Além disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura organizar campanhas – via internet – de conscientização sobre o assunto. Assim, os jovens passarão a discernir a necessidade de mitigar os receios dos longevos sobre a tecnologia e de incentivá-los nessa jornada de aprendizado. Portanto, por meio da espada da didática adequada e do novelo de lã da educação, alcançar-se-á a inclusão sem estereótipos nem preconceitos, mas sim com o respeito e a equidade previstos na Carta Magna.