Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 06/10/2020
No filme “Um Senhor Estagiário” é contada a história de trabalho de um idoso em uma grande empresa de moda formada, majoritariamente, por jovens. Ao longo da narrativa, é possível perceber as dificuldades do ancião em lidar com a aparelhagem tecnológica da empresa. Saindo do mundo cinematográfico, é fato que tal cenário citado reflete a sociedade do século XXI, visto que ainda persistem desafios para a inclusão digital da terceira idade. Sendo assim, torna-se pertinente uma análise criteriosa acerca do fatores que fomentam essa triste realidade: a negligência dos Estados Nacionais, bem como o preconceito enraizado socialmente.
Convém pontuar, de início, que segundo o filósofo grego Aristóteles, é papel do Estado garantir a felicidade de seus cidadãos. Essa visão, embora correta, não é concretizada no hodierno cenário global, uma vez que, devido à escassez de projetos públicos de incentivo à participação da terceira idade nos novos meios de comunicação, os idosos têm limitado o seu acesso a informações divulgadas pela sociedade conectada virtualmente. Assim, sob o efeito da “cegueira branca” premeditada por José Saramago em seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, muitos governos nacionais, em vez de desenvolverem espaços coletivos de aprendizagem tecnológica para os idosos, mostram-se indiferentes ao fechar seus olhos para as necessidades dessa parcela da população.
Outrossim, é imprescindível ressaltar o preconceito da sociedade no que tange à terceira idade. Sobre isso, cabe destacar a obra “A velhice” da filósofa francesa Simone de Beauvoir, a qual afirma que, em uma sociedade capitalizada, os indivíduos tendem a ignorar os grupos que não têm participação direta do processo dinamizado da produção de riquezas. Tal pensamento mostra-se verdadeiro quando exposta a situação do idoso em sociedade, já que esse é marginalizado pelo meio em que vive, pois é visto como atrasado e incapaz de acompanhar as novas demandas do ambiente digital e globalizado. Dessa forma, fica claro que essa situação é inconcebível e merece um olhar cítrico de enfrentamento.
Portanto, urge ao Governo Federal, em sinergia com ONGs, garantir a inclusão digital dos idosos, por meio de projetos públicos de interação da terceira idade com a tecnologia, a serem ministrados em praças e teatros municipais, por teóricos da comunicação e professores, mas, principalmente, por adolescentes voluntários, pois esses são os que, no cotidiano, estão mais conectados na sociedade em rede, com o fito de fomentar o acesso dos idosos às informações e novidades disponibilizadas pela internet. Somente assim, a população idosa não será submetida a situações semelhantes a do longa metragem supracitado.